Conheça a arte religiosa e a carreira de Sérgio Soarez

 

TEXTO: Amilton Pinheiro | FOTO: Rafael Cusato | Adaptação web: David Pereira

O artista plástico Sérgio Soarez | FOTO: Rafael Cusato

O artista plástico Sérgio Soarez | FOTO: Rafael Cusato

As entidades do candomblé sempre foram fontes de inspiração na concepção das esculturas, pinturas e ilustrações do artista plástico e pesquisador, Sérgio Soarez. “Sou do candomblé e guiado pelas divindades Oxossi e Ogum, que me ajudam espiritualmente e condicionam minhas obras.” Os primeiros passos do baiano no mundo das artes foram dados por volta de seus 17 para 18 anos, em Salvador, quando decidiu fazer um curso de escultura em madeira no Museu de Arte Moderna (MAM), da Bahia. Outros cursos vieram e ajudaram a complementar sua formação. Em 2010, foi citado pelo diretor do Museu Afro Brasil, Emanoel Araújo, no segundo volume do livro A Mão Afro-brasileira, editado pelo Museu: “Suas assemblagens, dedicadas à mitologia dos deuses da religião afro-brasileira, são uma, entre outras, das elaborações estéticas já experimentadas pelo artista. Nelas, alia seu conhecimento e sua prática religiosa numa experimentação estética bem concebida, bem articulada, na união de diferentes matérias, como os fragmentos em madeira, já vividos em outros objetos de diferentes usos nos quais ele trabalha o sagrado com a devoção de seu conhecimento.”

Os elementos que representam as duas divindades, Oxossi e Ogum, a madeira e o ferro, respectivamente, são os materiais principais que o artista utiliza nas suas esculturas. “É uma forma de reverenciar esses dois orixás”, explica Sérgio. Esses dois materiais muitas vezes já foram utilizados na confecção de outros objetos, portanto, serviram para outros fins. Mas ao serem reutilizados pelo artista como material reciclado, ganham outras utilidades e, principalmente, significados.

Sérgio Soarez luta muito para levar sua arte às pessoas. Muitas vezes ficou sem poder fazer uma obra por falta de dinheiro, pois precisava pagar as contas básicas e comer. “O artista negro não tem condições de viver de arte. Muitas vezes ele não tem dinheiro para comprar material para fazer as suas obras. Não tem condições de se qualificar. Ou come ou compra uma ferramenta para fazer seu trabalho, que antecede sua criação”, lamenta. Na dualidade entre o fazer artístico e tocar a vida, Sérgio vai tocando o barco, produzindo a sua arte e se aprimorando. Ele, que mora em Salvador, vai de tempos em tempos para São Paulo e Rio de Janeiro visitar exposições, comprar catálogos, fazer algum curso. Quando não pode viajar para o sudeste, se vira vasculhando a internet, segundo ele, uma excelente ferramenta para quem não tem grana para viajar. “Ser negro e artista é um labor constante, mas não queria ter outra vida, ser outra pessoa, adoro o que faço e o que sou”, sintetiza.

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