Platéia do Fórum Mercado Black, ICBA, Salvador - BA

O mês novembro foi marcado por uma série de eventos comemorativos do Dia da Consciência Negra e também, inevitavelmente, itens problematizadores sobre a questão do Racismo no Brasil. De modo a provocar uma reflexão sobre a relação entre Moda e Racismo, trazendo um panorama do empreendedorismo internacional, realizamos em Salvador, no dia 21 de novembro, o Fórum Mercado Black, que trouxe como convidada internacional Adama Paris, estilista senegalesa e organizadora da Black Fashion Week Paris. Junto com Goya Lopes, designer baiana de reconhecimento internacional, integrei dois dias de mesa redonda, a primeira aberta ao público, tocando nos aspectos culturais e políticos dessa temática e o segundo dia, exclusivo para profissionais de moda negros e negras, a fim de tratar sobre questões técnicas e conceituais do campo do design de moda feito por e para pessoas negras.

 

Goya Lopes é artista plástica, designer de moda e de superfície, proprietária da marca Goya Lopes Design Brasileiro, trabalha há mais de trinta anos neste mercado, que hoje conta também com loja virtual. Formada na Escola de Belas Artes da UFBA, fez especialização em Design na Itália, a designer baiana se consolidou como uma das mais importantes criadoras da moda afro-brasileira. Conhecida pelas estampas autorais que contam a história das pessoas negras no Brasil, Goya é uma das conhecidas ativistas na moda, cujo desafio se coloca na manutenção da qualidade e visibilidade de sua marca e do seu trabalho de criação artística - que conta com largo transito internacional - assim como na sua inserção no campo da representação política, foi Diretora Geral da ABDesign-Associação Bahia Design e Diretora de Responsabilidade Social do SINDVEST - Sindicato do Vestuário de Salvador e regiões, e convidada pelo antigo Ministério da Cultura fez parte do GT do colegiado Setorial de Moda em 2009, e hoje é integrante da ANAMAB – Associação Nacional da Moda Afro-Brasileira.

 

A estilista senegalesa Adama Paris é uma das grandes ativistas da moda internacional  e, imbuída do desejo de compartilhar moda africana e de criar pontes multiculturais, lançou muitos eventos pelo mundo, como a Dakar Fashion Week no Senegal que comemorou 15 anos de existência em 2017, como um dos maiores eventos de moda internacional em África e que visa a expressão de outro conceito de moda pautada na cultura africana e nas culturas negras da diáspora. Em 2010 lançou o selo Black Fashion Week, que conta com desfiles em Praga, Montreal e Paris, além do Africa Fashion Awards, que se tornou “les trophés de la mode Africane” (pt.: o troféu da moda africana) (TMA). Em abril de 2014, Adama lançou, no Senegal, a “Fashion Africa TV” (FA TV), primeiro canal de televisão 100% dedicado à moda africana, exibida em 44 países africanos no canal 24 do Canal+, em 33 países da Europa e em 13 da América, com Roku Box.

 

Adama Paris recebeu bolsa do Goethe-Institut Dakar para a residência no Programa de Residência Artística Vila Sul do Goethe-Institut Salvador-Bahia e veio a Salvador integrar o evento Mercado Black e a mostra artística:  "Modativismo: Carol Barreto convida Adama Paris e Goya Lopes``, sob curadoria de Juci Reis e Flotar Programa.  A mostra conta com peças de roupa e acessórios da Coleção Asè de Carol Barreto, e looks das coleções de Adama Paris e Goya Lopes, que integram a exposição com acessórios, tecidos e roupas que marcam sua trajetória. A abertura da mostra aconteceu na Galeria do Goethe Institut, com performance musical ao vivo com a trilha sonora da Coleção Asè, assinada por Laila Rosa com Iuri Passos e o Projeto Rum Alagbé do Ilê Iyá Omin Axé Iyá Massê - Terreiro do Gantois.

 

Também na exposição se efetiva a metodologia de design participativo, e a mostra conta com a Coleção Primavera - as jóias feitas com galhos naturais e elementos em prata, assinadas por Silvana Grappi; bolsas de Priscilla Bastos, feitas com objetos utilitários de cozinha e de pesca; também apresenta as criações em audiovisual, assinadas por Victor Mota, Mirella Ferreira, com styling de Tiago Estigarribia, produzidos nas ruas de Salvador e o video documental que registra o processo de construção da coleção, sob as lentes de Luana Amaral.

 

As ações compõem também as atividades do projeto de circulação internacional da Coleção Asè, que se completam com uma mesa redonda sobre Moda, Música e Artivismo Antirracista, com participação de Laila Rosa, Iuri Passos, Carol Barreto e as integrantes do e Rum Alagbè  - Daniella Penna, Adelina Seixas e Brenda Silva, que acontece no dia 13 de dezembro, às 14h no Terreiro do Gantois, como atividade de contrapartida do Projeto de Intercâmbio e Difusão do Edital de Mobilidade Artística e Cultural 2017 (SECULT - Fundo de Cultura da Bahia) que possibilitou a Residência Artística “de Carol Barreto, Laila Rosa e Luana Amaral em Nova York. A mostra artística está aberta para visitaram na galeria do Goethe-Institut Salvador-Bahia, ICBA, Corredor da Vitória, até o dia 14 de dezembro.

Adama Paris fala sobre empreendedorismo internacional

 

Mostra artística: Carol Barreto na galeria do Goethe Institut Salvador

 

Mostra artística: Adama Paris na galeria do Goethe Institut Salvador

Mostra artística: Adama Paris na galeria do Goethe Institut Salvador

 

Goya Lopes fala sobre moda afrobrasileira

CAROL BARRETO

Mulher Negra, Feminista e como Designer de Moda Autoral elabora produtos e imagens de moda a partir de reflexões sobre as relações étnico-raciais e de gênero.  Professora Adjunta do Bacharelado em Estudos de Gênero e Diversidade - FFCH – UFBA e Doutoranda no Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade – IHAC – UFBA, pesquisa a relação entre Moda e Ativismo Político.

 

*Este artigo reflete as opiniões do autor. A Revista Raça não se responsabiliza e não pode ser responsabilizada pelos conceitos ou opiniões de nossos colunistas

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