“Uma surpresa. Uma grande surpresa”. Essas foram as palavras usadas por Antonio Obá, 33 anos, ao saber que estava entre os quatro finalistas do Prêmio Pipa, o concurso avaliado como o mais importante do país no que diz respeito à arte contemporânea brasileira. Com uma produção artística intensa – ele participou de 11 exposições só em 2016 –, suas obras relacionam símbolos religiosos, questões raciais e política. “Apesar de trabalhar essas questões, não sou um ativista. Trabalho com o que me incomoda, não com incômodo do mundo”, explica.

Por isso, Obá fala sobre seu ofício como se tratasse de algo íntimo e completamente natural em sua vida. “Eu não domino meu processo artístico. É algo que surge de mim, do meu corpo, e que pesquiso a fundo, de modo a construir um material físico”, diz. Atualmente, trabalha com performances, pinturas e esculturas.

Antonio Obá
Felipe Menezes/ Metropole

 

Antonio Obá
Felipe Menezes/ Metropole

 

Antonio Obá
Felipe Menezes/ Metropole

Um de seus trabalhos mais conhecidos é a performance “Atos da Transfiguração”, em que ele – completamente nu – esfrega em um ralador uma estátua de gesso que representa a Nossa Senhora Aparecida, negra, até que ela se torne completamente branca. No final, Obá pega o pó branco da santa e espalha pelo próprio corpo. Trata-se de uma crítica ao racismo velado no Brasil.

Histórico
Nascido em Ceilândia, Obá sempre gostou de desenhar. “Eu era aquele aluno da escola que melhor desenhava, mas nunca havia levado arte a sério”, conta. Isso mudou aos 15 anos, quando ele se mudou para Vicente Pires e passou a frequentar a sala de recursos voltada a jovens superdotados na escola pública de Taguatinga.

"O professor-coordenador da sala de recursos também era artista plástico e me abriu os olhos para o ofício. Depois que concluí o ensino médio, ele me chamou para dar aulas de arte numa escola particular." Antonio Obá

Daí, Obá passou a dividir o tempo entre o trabalho na escola e as aulas de publicidade da Universidade Católica de Brasília (UCB). Depois de três anos, largou tudo para iniciar a licenciatura de artes na Faculdade Dulcina de Moraes e começar a produzir suas obras.

Hoje, ele é professor de artes no ensino público e dá aula na mesma sala de recursos onde foi aluno, em Taguatinga. Seu ateliê está instalado na casa em que vive com os pais, um distribuidor de gás e uma autônoma. “A família sempre foi muito próxima e me apoiou. Em todas minhas decisões, falavam apenas ‘Tem certeza? Então vamos nessa'”, lembra.

São vários os planos de Obá para os próximos anos. “Tenho vontade de fazer um mestrado em poéticas da contemporaneidade na Universidade de Brasília (UnB), mas se me chamarem para produzir obras de arte em São Paulo ou fazer uma residência no exterior também toparia, é claro”, afirma.

Este ano ele está por conta do Prêmio PIPA, que exige alguma dedicação em virtude das disputas e das exposições. Sobre isso, ele pede, brincando: “Por favor, votem em mim!”.

Pipa
Os artistas finalistas participarão de uma série de eventos ligados à premiação. No dia 16 de julho, eles poderão concorrer ao Prêmio PIPA Online, em que os internautas votam pelo site no artista preferido. Em 7 de agosto, o primeiro e o segundo artista mais votados receberão R$ 10 mil e R$ 5 mil, respectivamente.

Entre 23 de setembro e 26 de novembro, os artistas farão uma exposição no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro para participarem do Prêmio PIPA Voto Popular. Lá, o público poderá escolher o preferido até dia 5 de novembro. O valor desta premiação é de R$ 24 mil.

Já o Prêmio Pipa, definido pelo júri da premiação, concede R$ 130 mil e uma residência artística em Residency Unlimited, em Nova York (EUA). Tanto esse quanto o PIPA Voto Popular serão anunciados em 18 de novembro.

 

 

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