Evento no Largo da Batata contará com presença de Mano Brown, Criolo, Emicida,entre outros; segundo organizadores, ideia não é 'excluir ninguém', mas abrir o 'leque de apoio'

No rastro da manifestação que reuniu milhares de pessoas na Praia de Copacabana, no Rio, no domingo passado, artistas, produtores, ativistas e blocos de carnaval de São Paulo marcaram para domingo, 4, no Largo da Batata, um ato pela saída do presidente Michel Temer e pela realização de eleições diretas. Ao contrário de eventos anteriores, o ato dos artistas não terá a participação de partidos políticos e sindicatos na organização.

Segundo os organizadores, a ideia é fazer um movimento independente de partidos para ampliar o leque de apoio.

“Não temos a intenção de excluir ninguém. Temos o máximo respeito pelas lutas históricas de cada segmento, mas achamos importante termos também a chance de fazer um evento com todos que queiram participar, puxado pelas diversas expressões culturais. Achamos que é uma forma de agregar, ampliar e mostrar a quantidade de gente que quer diretas-já”, diz o produtor cultural Alexandre Youssef, presidente do bloco Acadêmicos do Baixo Augusta.

Foto: RICARDO BASTOS/FOTOARENA/FOTOARENA/PAGOS

Além de aproximadamente 40 blocos de carnaval, estão previstas apresentações de Mano Brown, Criolo, Emicida, Tulipa Ruiz, Otto, Maria Gadú, entre outros. Artistas das áreas do cinema, teatro e literatura também serão convidados.

“Mas não é uma micareta, não. É um ato político”, avisa o produtor musical Daniel Ganjaman, que também participa da organização do evento.

Aparelhamento. Além de abrir o leque de participantes para a parcela da população que rejeita partidos de esquerda, a decisão de fazer o ato de forma independente tem o objetivo de evitar o aparelhamento do protesto. “A manifestação não pode ser apropriada por partido nenhum. A música quer esse papel”, diz o empresário da noite Facundo Guerra.

No ato do Rio, na semana passada, organizado pelas Frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, sindicatos e partidos tiveram de tirar suas bandeiras e balões da frente do palco. Até então, as frentes haviam organizado todas as grandes manifestações de rua contra Temer, mas os artistas independentes tiveram papel importante no #OcupaMinc.

“Acho legítimo que os artistas tomem iniciativa. Atraem um público que não é necessariamente o dos movimentos.  Vamos tentar dialogar para fazer com o máximo de unidade possível”, diz Guilherme Boulos, da Frente Povo Sem Medo.

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