No último dia 24 de abril, a enfermeira e militante da Marcha Mundial de Mulheres Juliana Mittelbach foi vítima de racismo, enquanto frequentava a loja do Boticário, no centro da capital paranaense

Cerca de 50 pessoas se reuniram na noite de quarta-feira(03), em frente à loja do Boticário na Rua XV de Novembro, em Curitiba, para protestar contra as atitudes racistas tomadas pela franquia da empresa de cosméticos curitibana. A mobilização foi convocada pelas redes sociais e reuniu mulheres que, por meio de pronunciamentos e músicas, repudiaram o episódio.

A enfermeira Juliana Mittelbach (com o megafone) participou do ato e protestou contra atitude da empresa

A enfermeira Juliana Mittelbach (com o megafone) participou do ato e protestou contra atitude da empresa

No último dia 24 de abril, a enfermeira e militante da Marcha Mundial de Mulheres Juliana Mittelbach foi vítima de racismo, enquanto frequentava a loja no centro da cidade. Ela foi ao local para comprar um lápis de olho, mas as vendedoras demonstraram má vontade de atender a militante e negaram que houvesse o produto.

Minutos após a mulher deixar a loja, uma amiga voltou ao local para procurar o mesmo cosmético. Sua amiga, branca e loira, chegou a tirar fotos dos três tipos de lápis que foram oferecidos a ela.

Juliana denunciou o caso à Polícia Civil, e fez o relato da situação nas redes sociais. Milhares de pessoas reagiram à publicação no Facebook, e outras centenas prestaram solidariedade nos comentários.

Crime 

A situação vivenciada pela enfermeira se enquadra na Lei Federal nº 7.716/89, que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor. A legislação estabelece que é crime “recusar ou impedir acesso a estabelecimento comercial, negando-se a servir, atender ou receber cliente ou comprador”.

Em sua postagem no Facebook, Juliana desabafou. “Muito triste que até o meu dinheiro valha menos do que de uma pessoa branca”. A empresa chegou a entrar em contato com a mulher, se retratando e oferecendo uma cesta de produtos como forma desculpas. A enfermeira não aceitou a proposta e indica a necessidade de outra medida: “A melhor reparação é organizarem formação para seus funcionários e franquias para combater práticas racistas”.

Sonegação

Não bastasse as denúncias de racismo, o grupo que sustentou a campanha da candidata Marina Silva à Presidência da República agora precisa se explicar também quanto às acusações de que pratica a sonegação de impostos. Governador do Estado do Rio, Luiz Fernando Pezão propôs aos demais governadores e ao presidente de facto, Michel Temer, em recente encontro na Capital Federal, estratégias comuns de combate à sonegação. Pezão citou o caso do Boticário como exemplo a ser enfrentado através de ações combinadas entre as receitas dos Estados e da União.

“Para driblar o fisco, O Boticário fatura como serviço quase a metade do valor das mercadorias, deixando de pagar ICMs aos Estados e IPI ao Governo federal. E vem progressivamente aumentando o valor faturado desta forma. Há 6 anos, eram 27%. Passou a 37%. E desde de fevereiro último elevou ao patamar de 47%. Em reuniões internas, a empresa já revelou que a estratégia de chegar a 60%. Assim, mais da metade seria faturada como serviço, deixando de recolher ICMs e IPi”, denunciou o jornalista Ricardo Bruno, em sua página em uma rede social.

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