Veja como está o processo de regularização da capoeira

 

Texto: Fernanda Mendes | Foto: Divulgação | Adaptação Web Sara Loup

Capoeira nas Olimpiadas | Foto: Divulgação

Capoeira nas Olimpiadas | Foto: Divulgação

Embora a capoeira já seja praticada em cerca de 150 países, a dificuldade está na organização dos capoeiristas em torno a federações e confederações para a unificação de regras e outros requisitos básicos para a universalização da modalidade. Mas a proximidade das Olimpíadas de 2016, e a consequente exposição do Brasil no cenário esportivo internacional, está fortalecendo iniciativas nessa direção. Entre elas, estão os esforços realizados pela direção da Federação Internacional de Capoeira (FICA).

A entidade foi fundada em 1999, já com a bandeira do reconhecimento olímpico, e tem sede em Atibaia (SP). Em 2010, ganhou o status de “Observer” da SportAccord, organização internacional que congrega modalidades olímpicas e não olímpicas, primeiro passo para reconhecimento pelo Comitê Olímpico Internacional. A FICA congrega 38 federações nacionais de capoeira, 28 delas são representativas: Estados unidos, Canadá, Brasil,Argentina, Aruba, Chile, Colômbia, Portugal, Espanha,Itália, Suiça, Alemanha, Rússia, Azerbaijão, Estônia, Irã,Geórgia, Cazaquistão, Angola, São Tomé e Príncipe, França,Cabo Verde, Holanda, Indonésia, Singapura, Malásia,Coreia do Sul e México; as outras dez - Filipinas, Trinidade Tobago, Jamaica, Grécia, Turquia, Armênia, China, Letônia,Lituânia e Moçambique - possuem delegados nomeados para organizar o processo desportivo.

A entidade realizou três fóruns mundiais para avançar na padronização de procedimentos técnicos, culturais, desportivos, administrativos e educacionais, definidos no Código Desportivo Internacional de Capoeira. Participaram representantes do Brasil, Portugal, Cabo Verde, Trinidad e Tobago,Suíça, Angola, Itália, Colômbia, Chile e Espanha, além da representação da união Europeia de Capoeira.

Quanto às regras, houve avanços significativos no encontro anterior da FICA, ocorrido em julho em 2009, cidade de Baku, Azerbaijão. Representantes de federações nacionais de 21 países assinaram uma convenção de unificação dos procedimentos técnicos e desportivos da modalidade, em especial seu regulamento de competições, uniformes e graduações. Também foi aprovada a data de 5 de julho como o Dia Mundial da Capoeira.

Correndo contra o tempo os próximos passos são a ampliação da estrutura da FICA e a captação de recursos para poder encarar de frente a realização dos campeonatos mundiais.

Apoio ministerial

A capoeira é reconhecida como esporte de identidade cultural pelo governo brasileiro e está inserida no Comitê Olímpico Brasileiro (COB), sendo o 6º esporte mais popular do País, com cerca de seis milhões de praticantes. O reconhecimento desportivo oficial da modalidade foi o decreto 3.199, de 1941, assinado pelo presidente Getúlio Vargas, que estabeleceu as bases da organização dos desportos no Brasil.

Por meio dele, foi constituída a Confederação Brasileira de Pugilismo, que, em sua fundação, já contava com o Departamento Nacional de Luta Brasileira (Capoeiragem), embrião da Confederação Brasileira de Capoeira, fundada em 1992.Hoje, 20 anos depois, a capoeira está contemplada nos planos do Ministério do Esporte que, junto com representações de todas as outras modalidades, prepara a formatação de uma Política Nacional de Esporte, com diretrizes e metas bem definidas, que dará um grande impulso ao desenvolvimento esportivo do Brasil. É intenção do órgão contribuir para a promoção da capoeira durante a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, fazendo o que estiver ao seu alcance e dentro de suas atribuições para que os capoeiristas disponham de espaço digno para mostrar sua arte. “A capoeira originária do Brasil conquistou o mundo, e seu futuro é ser reconhecida como esporte olímpico, como ato de homenagem esportiva e cultural”, prevê o ministro Aldo Rebelo.

 

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