Uma inscrição na porta de entrada da Casa do Sítio da Ressaca, exemplar bandeirista tomado como patrimônio histórico no Jabaquara, indica sua data provável de construção: 1719. Prestes a completar 300 anos, portanto, a casa bandeirista de pau a pique foi descoberta em um passeio feito pelo modernista Mário de Andrade em 1937, quando o escritor ocupada o cargo de Secretário Municipal de Cultura.

Depois disso, o imóvel tornou-se alvo de vários estudos de historiadores, foi tombado como património histórico e serviu de base para atrair a construção do Centro Cultural do Jabaquara.

Hoje, a casa integra um conjunto de espaços públicos municipais que celebra a cultura afrobrasileira na cidade. Depois de várias mudanças administrativas ao longo dos anos, o Sítio da Ressaca faz parte complexo cultural composto pela biblioteca Paulo Duarte e pelo Centro de Culturas Negras do Jabaquara – Mãe Sylvia de Oxalá.

Mas, a situação atual do imóvel está deixando preocupados os apaixonados por história e preservação arquitetônica paulista.

“Um monumento da história de São Paulo tão importante e exemplar raro das construções coloniais não pode ficar abandonado a espera do seu fim”, diz a arquiteta Tel Rohwedder. Ela conta que vem acompanhando a situação há alguns meses, com preocupação. A casa está sustentada por escoras de madeira para não ruir de vez, tem enormes rachaduras por todos os lados e com seu madeiramento (original) de canela preta está bastante comprometido por cupins.

Outra preocupação da vizinhança é com a programação cultural. Há tempos não há uma epxosição específica na Casa do Sítio da Ressaca.

O Centro de Culturas Negras e a Biblioteca Paulo Duarte contam com eventos, palestras, cursos e outras atividades, especialmente com foco na temática da cultura negra, mas também de outros programas que circulam espaços culturais da cidade.

A casa integra também um circuito municipal de espaços históricos preservados, chamado “Museu da Cidade”. O site do projeto está fora do ar.

Procurada, a Secretaria Municipal de Cultura afirmou que há um projeto técnico para reformar o espaço. Não informou, entretanto, quando a reforma teria início.

Por outro lado, a SMC garante que não há riscos para os visitantes.

Com relação à programação cultural, a Secretaia diz que, como a casa histórica integra um complexo cultural, que inclui a biblioteca Paulo Duarte e o Centro de Culturas Negras do Jabaquara – Mãe Sylvia de Oxalá, a programação desses espaços está regular e pode ser consultada em Também não foi explicado por que o site do Museu da Cidade está fora do ar.

O primeiro restauro da Casa Sítio da Ressaca foi há 40 anos, em 1978, e aberta ao público em 1979. Em 1986, sofreu um pequeno incêndio. Depois, passou por quatro novos pequenos restauros, o último deles em 2002.

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