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Combate ao racismo

  • Autor: Redator

  • Publicado em: 15/10/2016

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O ator baiano Jorge Washington é referência de luta política contra o racismo e pela cultura de seu povo

 

Texto: Oswaldo Faustino | Foto: Oswaldo Faustino|Adaptação Web Sara Loup

Jorge Washington | Foto: Oswaldo Faustino
Jorge Washington | Foto: Oswaldo Faustino

Várias pessoas que veem aquele negro alto de longos dreads na cabeça mergulhando nas águas quentes de pequeno córrego que corta Arembepe a mais famosa aldeia hippie do Brasil, no município de Camaçari, a 30 quilômetros de Salvador logo o reconhece do filme e do seriado Ó Paí Ó, da Globo.

“Jamais vou esquecer a cena em que você está sentado na privada, quando o casarão é implodido”, comenta uma senhora. Jorge Washington Rodrigues da Silva simplesmente sorri. Considera aquele local seu paraíso. “Moro no bairro da Liberdade, em Salvador, onde sempre vivi. Acho que ali é a maior concentração de negros e de negras do País. Desde muito cedo entrei para o Movimento Negro e aprendi a fazer militância. Nas ruas da cidade, no palco com o Bando de Teatro Olodum ou na farmácia do Hospital Manoel Vitorino. Minha missão é combater o racismo.

”No ano passado, ele foi agraciado com a Medalha Zumbi dos Palmares, concedida pela Câmara Municipal de Salvador, por indicação do vereador Moisés Rocha (PT). Na ocasião, comentou que começou a atuar num grupo de teatro amador do Calabar uma das comunidades mais carentes da zona norte da capital baiana. Ali descobriu que “aquela linguagem artística poderia ser usada para denunciar as intolerâncias, os preconceitos e as discriminações e, principalmente, transformar mentes e corações”.

Por isso se formou no curso Livre de Teatro, da Universidade Federal da Bahia (Ufba). Jorge conta que estava quase desistindo da carreira, quando soube que o diretor Márcio Meirelles estava convocando atores para montar um grupo teatral que iria trabalhar com a temática afro. Apresentou-se e, de lá para cá, participou das 31 montagens do Bando de Teatro Olodum, em 21 anos de carreira. Por sinal ele é o único que esteve em todos os espetáculos desse grupo, além do filme Ó Paí Ó e do seriado de TV.

Seus trabalhos individuais mais recentes no cinema foram Jardim das Folhas Sagradas, de Póla Ribeiro, e O Homem que Não Dormia, do cineasta baiano Edgard Navarro. A avant première aconteceu no final do mês passado, na Mostra Internacional de Filmes do Cine Futuro, VII Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual, no Teatro Castro Alves. Jorge vive o personagem Lubisone que, segundo ele, “é diferente de tudo o que já fiz no cinema, teatro e televisão. Um momento diferente e especial na minha carreira de ator.”

Jorge Washington é intransigente quando se trata de fazer alguma concessão para um papel que desfavoreça a imagem do povo afro: “Não tem dinheiro que faça eu vender mais de 500 anos de história de luta da minha raça.”Oxossi, orixá caça, agricultura, alimentação é fartura ao dono de seu Orí (cabeça). Ele também comanda a busca do conhecimento, o ensino, a cultura e as artes Essa é a cara do Jorge.Òké Aro!!! Arolé!

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