Leia trechos da entrevista com o rapper e ator Thogun

 

TEXTO: André Rezende | FOTO: Rafael Cusato | Adaptação web: David Pereira

Nesta entrevista, o ator Thogun fala sobre sua carreira | FOTO: Rafael Cusato

Nesta entrevista, o ator Thogun fala sobre sua carreira | FOTO: Rafael Cusato

Já conferiu o perfil do ator Thogun? Agora, que tal ler a entrevista do ator à Raça Brasil? Veja o que Thogun fala sobre sua carreira:

Sua primeira expressão artística foi o rap, que te levou para o  cinema com o documentário Fala Tu, que, por sua vez, colocou você no seriado Filhos do Carnaval, onde você recebeu uma indicação ao Prêmio Emmy. Nesse instante, nascia o ator Thogun?

O Nilo é o personagem da minha vida, porque ele agia em uma coisa que eu não sou, silencioso, de poucas falas. Mas tinha aquilo: “O Nilo resolve!” Desde a preparação, era essa a frase de start do personagem. O preparador de elenco pegou toda a minha história no Fala Tu e trouxe para o Nilo. A vida não imita a arte, a vida faz parte da arte! E a partir dos Filhos do Carnaval, peguei meu conhecimento em publicidade e comecei a ver como poderia entrar no mercado. Há 8 anos, a penetração da gente, do negro, era muito mais difícil, já era difícil antes. Não tinha na cabeça em ser ator. Quando lançou a série, pensei: ‘e agora, o que eu fazer, o que vai acontecer?’ Comecei a tecer relações. Depois fui fazer o Menino Muito Maluquinho, e um dos diretores lá era o mesmo do Filhos do Carnaval. Percebi que esse ciclo poderia continuar a ser usado, se estou dentro do mercado, se eu sou um produto, agora vou potencializar esse produto. Fui fazer intensivo com a Fátima Toledo, com os melhores.

E a capacidade de se reinventar a cada novo trabalho e entender o movimento do mercado. Você perdeu muito peso para abrir outras possibilidades de atuação e não ficar limitado a papéis estereotipados.

É isso! O Vicente Ferraz (diretor de A Montanha) me queria no filme, fui fazer o teste e passei. Um sargento da FEB, esse personagem eu queria pra mim. Cara, pela primeira vez um filme vai falar sobre a Força Expedicionária Brasileira (FEB). E se ele me chamou para o teste é porque alguma coisa ele viu em mim. O teste foi tão forte, tão intenso que eu sabia que havia passado, mesmo com feras concorrendo comigo, só que mano, eu estava com 168 quilos. Eu já sabia que tinha que mudar, tinha certeza porque, um sargento da FEB, na 2ª Guerra Mundial, passando fome, com 168 quilos? (risos).

Mesmo focado, esse sacrifício foi doloroso em algum momento?

Sempre, sempre! Ah, perdi o peso e o casamento. Os dois foram juntos. É até legal falar isso, fui emagrecendo e muitas vontades voltaram. A de estudar, de me dedicar mais, fazer rapel, essas coisas. A adrenalina estava a mil. E foi começando muitas correrias ao mesmo tempo, foi ficando incompatível. E nem todo mundo tem que enxergar o que eu enxergo, nem a minha ex-esposa. Ela tem os direitos dela também. E resolvemos nos separar. Mas tenho hoje uma amiga, muito respeito por ela. A gente sente e tal, mas a vida está aí. Abri a minha porta de novo para viver e você não tem que ter medo de viver, a mola é essa. Tem que viver com intensidade, não existe essa de metade. Tem que começar a levar a tua criança para passear, a cuidar mais de você. Foi tão bom emagrecer, os joelhos e as costas não doem, e a cabeça também não, você não está ocioso, largado.

Qual papel você gostaria de interpretar?

É engraçado porque eu não programo isso. Quero um papel que me vire de ponta-cabeça, tudo que ninguém espera, e nem eu. Fazer bem, ir fundo na pesquisa e dentro de si, também. Mas filmes de época são legais. Tipo: quem foi André Rebouças? Negro, engenheiro, filósofo, arquiteto, matemático, poeta, o cara foi tudo! Tenho esses insights. Também quero fazer filmes fora do país, seja o que for.

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