O colunista Fábio Rogério escreve sobre o hip-hop em sua coluna. Confira

 

TEXTO: Fábio Rogério | FOTO: Cláudio Lira | Adaptação web: David Pereira

O colunista Fábio Rogério | FOTO: Cláudio Lira

O colunista Fábio Rogério | FOTO: Cláudio Lira

Curtas sobre o mundo do hip-hop:

Não importa se você ouve a velha ou a nova geração da música black, o importante é ouvir “quem te ama”, a exemplo da música “Mandamentos Black”, de Gerson King Combo.

O rapper Dr. Dre vendeu o seu fone de ouvido Beat para a Apple por 3,2 bilhões de dólares. E parece que ele e o seu parceiro Jimmy Lovine serão contratados para altos cargos na empresa da maçã.

Gostaria de ouvir canções com mais conteúdo, pois quem pensa não ignora suas ideias. Muito se fala em criar proximidades comerciais com empresas que dizem querer apoiar o rap, mas poucas pessoas tentam mudar os rumos da Lei Rouanet, que favorece quem precisa menos que “noiz “.

O livro “Do Sertão ao Hip Hop”, de Nelson Triunfo,um dos líderes do segmento, traz experiências boas. Leitura recomendada.

Hoje temos escolas de surf, de línguas, mas não temos escolas de rap. Faltam consultores e palestrantes sobre o mercado hip hop, que movimenta milhões de pessoas nos níveis consciente e inconsciente de consumo.

Nos anos 80, a cantora Nona Hendryx, com “Transformation”, fez o intitulado “papa dos LPs” importados - Ricardo Aritana - ter o feeling de ajudar este som a ser um dos preferidos da comunidade negra.

Atualmente, bem diferente dos roqueiros, a turma que curte black music anda meio dispersa. Hoje temos variedade em bonés, óculos, tênis, mas talvez falte mais proximidade entre os adeptos do movimento.

Existiu uma época que, em São Paulo, ir à Galeria 24 de Maio e esperar longas filas para cortar o cabelo e arrumar o black power era um momento único de interação. Naquela época, fazia-se fila e as pessoas conversavam entre si, e não com outros distantes pelo celular. Não era popular o aparelho que nos afasta da realidade...

Uma festa black era um culto musical dedicado aos vivos e aos ancestrais, como dizia o rapper Pepeu. Espero que a APEESP (Associação de Promotores de Eventos do Estado de São Paulo) consiga organizar e fomentar novos rumos para a black music.

Não vivenciei algumas épocas, mas o meu bom networking com os adeptos fez de mim um apaixonado pela geração Chic Show, Zimbabwe e Black Mad. Tudo bem, os tempos são outros. Mas era uma época em que o rádio e o baile eram praticamente as únicas formas de lazer.

Lojas de disco em São Paulo, como a Trucks, reuniam de office boys que economizavam salário para comprar vinis de cantores como Kool Moe Dee a equipes de som. Quando chegavam discos de Nova Iorque, as portas eram fechadas no final da tarde só para atender os DJs e os membros da indústria. Ao contrário daquela época, hoje muitos DJs estão preguiçosos e não pesquisam mais novidades. Méritos de caras como DJ Gringo, DJ Luciano, do Black Songs , Easy Nylon e dos audiófilos existentes. Meus parabéns!

Como diz Thaíde, “mudaram as músicas e mudaram as roupas, mas a juventude afro continua”. Música nova não para de sair. Que o digam Blue e Balanço Rap. No Rio Grande do Sul, Ge Power, Nitro Di e Pia estão criando. Em Florianópolis, DJ Cia toca. Aqui em São Paulo, o novo trabalho da banda de swing e samba rock Clube do Balanço já saiu, e o título é “Menina da Janela”.
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