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Diplomata americana em entrevista à Raça

  • Autor: Redator

  • Publicado em: 15/10/2016

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Confira trechos da entrevista com Reta Jo Lewis, diplomata americana à Raça

 

TEXTO: Maurício Pestana | FOTOS: Divulgação | Adaptação web: David Pereira

A diplomata americana, Reta Jo Lewis em entrevista à Raça | FOTO: Divulgação
A diplomata americana, Reta Jo Lewis em entrevista à Raça | FOTO: Divulgação

Ao se falar em negócios, comércio e política desenvolvimentista dos Estados Unidos para o mundo, logo aparece a figura de Reta Jo Lewis. Representante Especial para Assuntos Intergovernamentais Globais, a advogada e diplomata serviu como vice-presidente e conselheira da presidência dos Estados Unidos na Câmara de Comércio e Federação Mundial dos Negócios, é especialista em política sobre questões nacionais e internacionais. No Brasil, Reta tem sido recebida por altas autoridades – como governadores, prefeitos e representantes da indústria e do comércio – para tratar sobre negócios entre os dois países com foco nos grandes eventos esportivos que estamos prestes a realizar: a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos.

Nesta entrevista exclusiva para a RAÇA BRASIL, a diplomata americana fala como podemos utilizar destes eventos para alavancar os negócios entre os empresários afrodescendentes, experiência que os Estados Unidos vivenciaram nos Jogos de Atlanta. Lewis fala também do JEPPER, plano Brasil-Estados Unidos de combate ao racismo e de outras ações que os dois países deslumbram alcançar rumo à igualdade racial. Leia trechos da entrevista com a diplomata americana Reta Jo Lewis.

Como a experiência de incluir companhias de minorias nos negócios, tão bem-sucedida nos Jogos Olímpicos de Atlanta, poderia ser utilizada aqui no Brasil?

Tenho tido a sorte de viajar pelo Brasil todo, visitando todas as cidades sedes da Copa do Mundo e eu lhe digo que essas questões, para os governos federal, estadual e municipal, para a sociedade civil e para o setor privado são todas muito importantes a respeito da inclusão social e racial.

Em conversa com a ex-prefeita de Atlanta, que fez parte uma comissão criada para incluir afrodescendentes, mulheres e hispânicos nos jogos de Atlanta, ela passou uma ideia otimista sobre o assunto.

Foi uma honra quando a Shirley Franklin foi até a Bahia e o Rio de Janeiro para falar daquela experiência. Acredito que, conforme estejamos aqui com esse plano de ação conjunta, em que eu sou a presidente do subcomitê, que é um grupo de trabalho de empreendedorismo, as comunidades do setor privado, a sociedade civil, o governo e os empreendedores, todos reunidos, poderiam aprender a compartilhar as experiências adquiridas durante os Jogos de Atlanta.

"Todos nós sabemos, nos Estados Unidos, que as peqienas empresas são a força matriz da nossa economia e grande criadora de emprego" | FOTO: Divulgação
"Todos nós sabemos, nos Estados Unidos, que as peqienas empresas são a força matriz da nossa economia e grande criadora de emprego" | FOTO: Divulgação

De que forma as empresas especializadas em produtos para afrodescendentes dos Estados Unidos poderiam realizar parcerias com empresas similares no Brasil, uma vez que vocês são fortes, por exemplo, na área de cosméticos para a pele negra, mesmo os afrodescendentes sendo apenas 13% da população? O momento seria o ideal graças aos bons ventos da economia brasileira?

Nas minhas viagens pelo Brasil, vemos a transformação dinâmica do seu país e também vemos a transformação dinâmica do mercado. Respondendo sua pergunta especificamente, a comunidade afrobrasileira, pelas conversas que eu já tive sobre o comitê do plano de ação conjunta, vimos que há um reconhecimento muito forte, mas também um grande interesse em fazer parcerias com as empresas americanas que têm o foco nesse mercado negro. Uma das coisas que os representantes americanos sempre tentam fazer é buscar parcerias estratégicas. E é exatamente por isso que estamos no Brasil, para compartilhar as experiências que as nossas pequenas empresas e as nossas empresas de minoria já tiveram, ou seja, como trabalhar, como nós trabalhamos nos Estados Unidos no ponto de vista do mercado americano.

E como seria mudar o foco para o mercado brasileiro?

Nós já nos reunimos com os representantes de empresas pequenas e médias aqui no Brasil, o SEBRAE. Discutimos e queremos continuar a trabalhar com eles juntamente com outras agências para falar a respeito da experiência americana, trabalhando com empreendedorismo e organizações no Brasil que tenham esse foco na comunidade afrobrasileira para continuar compartilhando nossas experiências de como os Estados Unidos conseguiram trabalhar com esse setor de pequenas empresas, e continuar a impulsionar a economia e criar empregos. Todos nós sabemos, nos Estados Unidos, que as pequenas empresas são a força matriz da nossa economia e grande criadora de emprego. Então, para sermos capazes de ter o mesmo ambiente aqui no Brasil, tanto o governo federal quanto o estadual precisam trabalhar com organizações como a SEPPIR, que tem toda uma responsabilidade de reunir entidades que podem compartilhar essas experiências, chegando a soluções ou maneiras que nós podemos almejar esses mercados específicos. Normalmente tem sido muito importante estar aqui e ouvir, em primeira mão, os seus interesses. E para os Estados Unidos, inclusive, podemos voltar e perguntarmos se podemos nos reunir com outros empresários que tenham interesses parecidos para ver como essas parcerias podem ser formadas e como essas experiências podem ser compartilhadas. Mas no final das contas, cada comunidade vai se autodeterminando. Nós acreditamos ter um parceiro muito forte, acreditamos que a relação entre as pessoas estarão exatamente na base da nossa relação bilateral.

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