Colégio Cenecista Pedro Antônio Fayal pediu desculpas pelo ocorrido e explicou que objetivo era mostrar a desigualdade social por meio da dramatização de uma música

Elaine Mafra compartilhou em seu Facebook um recado enviado pelos professores de seu filho. Nele, era pedido que o menino fosse fantasiado de 'favelado do Rio de Janeiro' para uma apresentação, na qual os alunos dramatizariam uma música. O caso ocorreu em Itajaí, em Santa Catarina.

"O meu filho já havia decidido que não iria participar da apresentação, então eu nem sabia dessa tal fantasia. Só hoje descobri que a fantasia é de FAVELADO DO RIO DE JANEIRO", relatou na rede social. "Outra metade dos alunos tem que ir vestido de médico, advogado, entre outras profissões, já que vão representar a outra parte da cidade."

A mãe lamentou o preconceito "ensinado dentro da escola". "São preconceitos como esse que geram os estereótipos, que por sua vez causam a discriminação e arruínam a vida de tantas pessoas", opinou.

Elaine ainda disse que os professores explicaram que o aluno deveria ir de bermuna, óculos escuros e boné. Leia o post na íntegra:

FANTASIA DE FAVELADO? COMO ASSIM?O meu filho já havia decidido que não iria participar da apresentação, então eu nem...

Publicado por Elaine Mafra em Quarta, 28 de junho de 2017

 

Fabiana Ladi Bento de Almeida, diretora do Colégio Cenecista Pedro Antônio Fayal, classificou o comunicado como "um grande equívoco, um erro de posicionamento". Ela explicou que a intenção era que, após um trimestre estudando as desigualdades sociais, os alunos fizessem uma dramatização da música Afogados, dos Paralamas do Sucesso.

Para a diretora, as palavras 'avulsas' fizeram com que ficassem sem contexto.

Leia o comunicado oficial da escola:

"Viemos através desta transcrever nossos mais sinceros pedidos de desculpas, pois ainda que possamos ter explicações , reconhecemos a inadequação de uma frase descontextualizada. Ouvimos cada um de vocês, e explicamos o contexto da ação. Jamais teríamos a intenção de criar estereótipos. Nosso espírito educacional é sempre na intenção de realizar ações que possam somar com a comunidade. É de prática cotidiana o acolhimento e humanização a nossos alunos, famílias e funcionários. Houve um sério equívoco no bilhete enviado às famílias dos quartos anos e que separado do contexto a que pertencia tornou-se inaceitável. Esclarecemos que a atividade proposta foi na verdade baseada na canção Alagados, do conjunto Paralamas do Sucesso, onde é citada a Favela da Maré, uma das maiores do Rio de Janeiro, onde vivem hoje 130 mil pessoas, em comunidades que se estendem entre a avenida Brasil e a Linha Vermelha - duas das mais importantes vias de acesso à cidade. Não viemos criar muros e sim trabalhar e expor estes movimentos de cidadania e inclusão.

Não aceitamos racismo, xenofobia, homofobia ou qualquer intolerância de classes. Nossos 55 anos de história atestam esta postura. Convidamos a todos para acompanharem o nosso trabalho que sempre privilegiou os valores e reafirmar que repudiamos toda e qualquer forma de exclusão. Contamos com a compreensão nesse momento e as providências internas já foram tomadas.

Por isso estamos indo além do pedido de desculpas. Assumimos aqui um compromisso público de sermos cada vez mais intolerantes e intransigentes nesse sentido. Enfrentaremos esse momento com humildade e o superaremos, fica o aprendizado.

Atenciosamente,

A Direção" 

Eliane afirma que aceitou as desculpas da escola e, agora, espera que eles repensem o posicionamento inicial.

 

Comentários

Comentários