Em 1949 um grupo de estivadores portuários de Salvador fundou o que hoje é um dos maiores Afoxés do Brasil, o Filhos de Gandhy. Inspirados pelos princípios de não violência e paz do líder indiano Mahatma Gandhi, entre as diversas características peculiares do grupo está a exclusividade de participação de homens.

Dessa barreira para as mulheres, nasce em 1979 a Sociedade Recreativa e Cultural Afoxé Filhas de Gandhy, com a missão promover a ascensão política e social das mulheres por meio da cultura e valorização da sua ancestralidade em uma época que “nem na corda do bloco a mulher podia encostar”, como relembra Glicéria Vasconcelos, diretora do grupo.

Mais do que um bloco que mantém a tradição da religião africana ritmada pelo agogô nos cânticos de ijexá, o Afoxé Filhas de Gandhy tem o compromisso de desenvolver atividades culturais, educacionais, sociais e políticas que resultaram na formação de um coletivo de mulheres em busca do combate de desigualdades sociais.

“Uma entidade não pode ficar parada no tempo, tem que fazer algum trabalho social”, ressalta a diretora que está na administração do projeto desde os anos 1980, quando recebeu essa missão das mãos de Gilberto Nonato Sacramento, o ‘Negão’, antigo diretor dos Filhos de Gandhy.

O foco da valorização das culturas de matriz africana funciona quase que como um pretexto para o encontro de mulheres nesse espaço onde recebem, gratuitamente, cursos, oficinas, seminários e mostras de vídeos durante todo o ano. Onde elas possam desconstruir e ressignificar possibilidades de resistência e transformação própria, social e cultural por meio da economia criativa e solidária.

Na ativa há quase 40 anos, é natural o encontro de gerações de mulheres que estão no bloco desde os primeiros anos e as que vão chegando nos dias mais atuais. Isso se torna bastante positivo para a dinamização do próprio afoxé, para as rodas de conversa sobre questões de gênero e políticas para as mulheres, além das trocas de saberes e expertises entra elas.

A instituição obteve o reconhecimento de diversas organizações sociais e carnavalescas pelo trabalho desenvolvido, como o Trófeu Castro Alves na categoria de melhor bloco afro por consecutivos anos (2013 – 2016) e pela participação na Expo Brasil e Lavagem da Rua 46 em Nova York (2014).

APOIO

A entidade se mantém como grande parte dos grupos sócio-culturais da região: com esforços de seus integrantes, parcerias e apoios esporádicos ao longo do ano. Se a causa lhe interessou, entre em contato pelos canais disponíveis aqui e ajude a manter viva essa tradição que empodera cada vez mais mulheres.

ECONOMIA CRIATIVA

Destaque para o projeto Arte das Yabás, que está em busca de apoio para a sua terceira edição e trabalha questões sobre a autonomia financeira da mulher, desde a prática cultural de aprender a tocar e dançar o afoxé, até a produção dos instrumentos e acessórios para a venda e geração de sua própria renda.

Os Filhos de Gandhy têm a missão de trazer paz para o carnaval. As Filhas expandem isso para a vida das mulheres.”

Glicéria Vasconcelos, diretora das Filhas de Gandhy desde 1980

Fonte:Amaphiko

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