Conheça alguns dos grandes escultores e pintores negros brasileiros que viveram durante o período do Brasil Colônia

 

TEXTO: Oswaldo Faustino | FOTO: HORACIO COPPOLA/ACERVO INSTITUTO MOREIRA SALLES | Adaptação web: David Pereira

O Profeta Jonas, obra de Aleijadinho no Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo, Minas Gerais | FOTO: HORACIO COPPOLA/ACERVO INSTITUTO MOREIRA SALLES

O Profeta Jonas, obra de Aleijadinho no Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo, Minas Gerais | FOTO: HORACIO COPPOLA/ACERVO INSTITUTO MOREIRA SALLES

Mesmo quando obedece aos dogmas do classicismo ditados pelas escolas de arte mais tradicionais e conservadoras, não se pode negar que, ao fazer arte, o artista expõe o que habita no mais profundo de sua mente e de sua alma.

Do Brasil colônia até o período imperial, vários escravizados africanos ou aqui nascidos utilizavam seus aprendizados de artesão para se dedicar à arte da escultura. Segundo o Dicionário da Escravidão Negra no Brasil, do sociólogo e historiador Clóvis Moura, ao visitar o Rio de Janeiro, em 1846, o viajante inglês radicado nos EUA, Thomas Ewbank relatou: “Esculturas em pedra e imagens de santos em madeira são frequentemente feitas por escravos e negros livres.” Identificou como “excelente escultor” e “artista consagrado” um velho africano que vivia no Catete, conhecido por João Vermelho, que o impressionou tanto pela qualidade dos santos que esculpia quanto pelos ex-votos expostos na Igreja de Nossa Senhora do Rosário.

Aleijadinho: Mais de um século antes dessa viagem, porém, nascia em Vila Rica – hoje Ouro Preto – o mestiço Antonio Francisco Lisboa, que ficou conhecido como “Aleijadinho”, considerado o maior escultor barroco das Américas. Filho do arquiteto português Manuel Francisco Lisboa com sua escrava de prenome Izabel, Aleijadinho nasceu escravo – condição conferida a todos os filhos de escravas –, mas foi alforriado pelo pai. Além de exercer seu talento nas artes, integrou a infantaria do Regimento de Homens Pardos de Ouro Preto, frequentava bailes populares e apreciava o álcool. Já na meia idade, foi acometido pela hanseníase, que deformou seu corpo todo, e também por outra doença chamada porfiria. Até morrer, aos 76 anos – ou 84, segundo outras fontes –, debilitou-se tanto que, para que pudesse esculpir, seus ajudantes amarravam as ferramentas no que restou de seus braços carcomidos pela doença.

A despeito desses males, produziu com intensidade em pedra-sabão e realizou entalhes em cedro, deixando um legado de valor inestimável nas igrejas de Vila Rica e em outras cidades mineiras como São João Del Rei, Congonhas do Campo, Sabará e Mariana, entre outras.

Também recebeu menções elogiosas de viajantes estrangeiros como o botânico e naturalista francês Auguste Saint-Hilaire e o geólogo alemão Barão de Eschwege. Além de imagens de profetas, santos e vias sacras, há belíssimos portais, adros de igrejas, monumentais frontispícios, imponentes altares e chafarizes.

São também desse período pintores negros como Jesuíno Francisco de Paula Gusmão (1764 -1819), José Teófilo de Jesus (1758 - 1847), Mestre Valentim (1745-1813) e Veríssimo de Souza Freitas (sem registro de nascimento e morte), cujos entalhes, esculturas, quadros e afrescos podem ser vistos em igrejas e algumas edificações antigas.

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