Em bate-papo descontraído para a revista "Interview", realizado pela multicampeã do tênis, tri de Fórmula 1 abre o jogo e fala de diversos assuntos. Confira os melhores trechos abaixo

Vez ou outra os astros da Fórmula 1 desaceleram, tiram o macacão, capacete e voltam a ser "humanos". E foi em uma dessas ocasiões, desarmado, em que Lewis Hamilton se abriu sobre diversos temas ao ser entrevistado por ninguém menos que Serena Williams, multicampeã no tênis. O bate-papo descontraído entre os amigos Lewis e Serena foi realizado pela revista "Interview", fundada pelo artista americano Andy Warhol, e abordou diversos temos, como a briga pelo racismo, a idolatria do piloto pelo irmão com paralisia e o fato de Hamilton ser péssimo perdedor. Separamos os melhores trechos, confira abaixo.

Serena Williams com Hamilton (de Coringa), Venus Williams e amigos em festa de Halloween (Foto: Getty Images)

Serena Williams: você lembra como se sentiu ao ganhar pela primeira vez como piloto profissional?

Lewis Hamilton: Sim, foi em Montreal (Canadá), em 2007. Eu me lembro de estar no pódio, olhar para baixo e ver meu pai sorrindo de orelha a orelha. Ele era a pessoa mais orgulhosa no local. Ali eu senti que eu atingi tudo que ele esperava para mim. Desde criança carrego uma enorme pressão – assim como foi para vocês (irmãs Williams). Meu pai queria que eu tivesse uma vida melhor que a dele. Ele queria absurdamente que fôssemos bem-sucedidos. E eu nunca quis decepcioná-lo. Então subir ao pódio daquela maneira foi verdadeiramente mágico.

Lewis Hamilton com o pai, Anthony, no GP do Canadá de 2007, sua primeira vitória na F1 (Foto: Getty Images)

Desde criança carrego uma enorme pressão – assim como foi para vocês (irmãs Williams).

Lewis Hamilton na época de kart: pressão desde pequeno (Foto: Reprodução)

Meu pai queria que eu tivesse uma vida melhor que a dele. Ele queria absurdamente que fôssemos bem-sucedidos. E eu nunca quis decepcioná-lo.

Lewis Hamilton começou carreira de sucesso ainda bem jovem (Foto: Reprodução)

SW: Perder te faz ser melhor?

LH: Eu odeio perder. Não importa se for correndo ou jogando ping-pong. Eu odeio. Ou você é primeiro ou último.

 
Lewis Hamilton, sobre não vencer: "ou você é primeiro ou último" (Foto: Reuters)

SW: Você sente que as pessoas esperam que você sempre vença?

LH: Eu sinto que as pessoas esperam que eu falhe. Sendo assim, eu sempre espero vencer. Assim como acontece com você, as pessoas sabem o quão bom você é estão apenas esperando pela sua queda.

Lewis Hamilton parabeniza Serena Williams por vencer o seu sétimo Australian Open (Foto: Reprodução)

SW: Seu irmão é super importante para você. Eu amo o relacionamento de vocês, a maneira como você cuida dele.

LH: Eu cresci com duas irmãs. Sempre quis um irmão, e ele nasceu quando eu tinha sete anos. Era um pequenino bebê gordinho. Ele tem paralisia cerebral, mas nunca cedeu às dificuldades que teve durante o crescimento, nem uma vez sequer. Disseram a ele que não andaria, que não poderia tocar bateria, que não poderia pilotar um carro. Mas ele foi lá e fez tudo isso. Ele desafiou as expectativas, desafiou a deficiência. Eu olho para ele e me sinto muito inspirado pela sua mentalidade e por quão incríveis sua mente e corpo são. Não há nada que você não possa fazer. Meu irmão provou isso. Ele me ajudou a lembrar o quão fãcil foi para mim, para nós, poder andar por aí, segurar uma raquete, chutar uma bola, pilotar um carro... Ele costumava cair quando jogávamos futebol, levantando logo em seguida. Ele nunca disse: “Droga, como é fácil para você”. Mas agora ele está pilotando. É um homem adulto e uma inspiração para diversas pessoas. Essa é sua missão de vida, de verdade, encorajar pessoas que passam pela mesma situação e que as palavras “não posso” não existem em seus vocabulários.

Lewis e Nicolas Hamilton no GP da Inglaterra (Foto: Reprodução)

Disseram a ele que não andaria, que não poderia tocar bateria, que não poderia pilotar um carro. Mas ele foi lá e fez tudo isso.

Nicolas Hamilton , irmão do tricampeão Lewis (Foto: Reprodução)

Mas ele foi lá e fez tudo isso. Ele desafiou as expectativas, desafiou a deficiência.

Nicolas e Lewis Hamilton (Foto: Reprodução)

Eu olho para ele e me sinto muito inspirado pela sua mentalidade e por quão incríveis sua mente e corpo são.

Nicolas Hamilton e Lewis Hamilton (Foto: Reprodução)

SW: Lewis, você quebrou a barreira de cor no automobilismo?

LH: Com certeza. Meu pai e eu sempre admiramos o que o Tiger (Woods) fez no golfe e o que você e sua irmã fizeram pelo tênis. Temos muito orgulho do que fizemos no automobilismo. Eu estava em um evento da amfAR (Uma organização internacional sem fins lucrativos dedicada ao apoio à pesquisa sobre a aids) e uma moça africana se aproximou e mostrou uma foto do seu filho, que está no kart e quer ser como eu. Mas não são apenas pessoas negras, mas também asiáticas e de todas as raças. Quando eu corria de kart não tinha ninguém que se parecesse comigo, nem um pouquinho, o que me ajudou a ver que era uma causa que eu podia trabalhar em cima. E agora sou visto por crianças pelo eu faço. Me orgulho muito em fazer parte disso.

Lewis Hamilton e Muhammad Ali (Foto: Reprodução)

Quando eu corria de kart, não tinha ninguém que se parecesse comigo, nem um pouquinho, o que me ajudou a ver que era uma causa que eu podia trabalhar em cima.

Lewis Hamilton e o avô em Granada, local em que os familiares do piloto nasceram (Foto: Reprodução)

O tricampeão retorna ao seu Mercedes #44 para o GP da Hungria, no dia 30 de julho. Atualmente, Hamilton é o vice-líder do Mundial após 10ª etapas disputadas, com 176 pontos, um a menos que o líder Vettel.

Fonte: GE

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