Saiba mais sobre a tradição e a modernidade dentro dos quilombos brasileiros

 

TEXTO: Sandra Almada | FOTO: Fernanda Moraes | Adaptação web: David Pereira

Luiz Sacopã, líder do único quilombo localizado na zona sul carioca | FOTO: Fernanda Moraes

Luiz Sacopã, líder do único quilombo localizado na zona sul carioca | FOTO: Fernanda Moraes

Como sinal de mudança dos tempos, já existem, em parte dos quilombos brasileiros, telefone público e telecentros com computadores conectados à internet. “Eu acho que isto tudo que se observa hoje tem a ver com essa questão do avanço tecnológico, com a nova sociedade que estamos vivendo. Existe possibilidade de, tranquilamente, as comunidades se adequarem a isso. De uma maneira bem educativa, até”, opina Júlio Rodrigues, de 32 anos, especialista em Educação com pós-graduação no exterior e expressiva liderança do Quilombo de Ivaporunduva, localizado no Vale do Ribeira, município de Eldorado, em São Paulo. “Mas, o mais importante é que eles não percam a cultura, não percam a tradição. A tecnologia é uma coisa que ajuda. Ou seja, algo que, se você souber usar, não vai levar a que se perca nada da cultura. Na verdade, você mantém a cultura melhor ainda e um dos cuidados que nós temos é exatamente o de não perdê-la, não trocá-la por qualquer modernidade que a sociedade possa oferecer.”

Marcos Romão lembra, por outro lado, que na Europa, berço do movimento das rádios livres, as “rádios piratas,” os donos de TV e rádios comerciais acabam por subsidiar a comunicação popular. “É que 2% desse imposto são destinados a apoiar canais locais à disposição dos cidadãos, como as rádios comunitárias e canais abertos que falam para as minorias. O colonialismo de internet está criando um maior distanciamento das populações tradicionais, populações mais pobres em relação ao que vai definir o domínio do mundo daqui a 10 anos. Tudo é um chip, um cartão, um bilhete único que registra para onde você vai. Tudo! As pessoas das comunidades a que me refiro não têm o domínio disso! Por outro lado, essas ‘novas’ tecnologias não passam de uma câmera fotográfica, um antigo telex, um fax, juntos no celular de hoje. Podem ser, portanto, perfeitamente colocadas à disposição destes grupos”, defende.

O jornalista também aplaude o fato de iniciativas de “jornalismo responsável” estarem se espalhando pelo Brasil. “Foram as redes sociais que começaram a falar no processo de expulsão das comunidades negras dos grandes centros urbanos. Isso acontece em Togo, Hamburgo, Londres, Estados Unidos, Brasil, Pedra do Sal e Quilombo do Sacopã. A presidente Dilma fala sobre racismo ambiental agora, mas nós, os ativistas negros, já falamos sobre isso desde os anos 1970.”

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