Criada por Rachel Maia, presidente da joalheria Pandora, e Gal Barradas, fundadora e co-CEO da BETC/Havas e vice-presidente da Abap, a rede Mulheres do Sim quer empoderar empreendedoras. Almoço de lançamento ocorreu após a palestra de Barack Obama, com participação de Tais Araujo, Daniela Cachich, vice-presidente de marketing da PepsiCo; Ana Bogus, diretora geral da Kimberly-Clark; e Fiamma Zarife, diretora-geral do Twitter, entre outras executivas e empresárias

Yes, we can” (sim, nós podemos): o emblemático slogan da campanha que elegeu Barack Obama presidente em 2009 foi o mote repetido diversas vezes por um grupo de mulheres influentes como a atriz Tais Araujo, Daniela Cachich, vice-presidente de marketing da PepsiCo; Ana Bogus, diretora geral da Kimberly-Clark; e Fiamma Zarife, diretora-geral do Twitter no Brasil, que, sob o impacto da passagem do líder norte-americano por São Paulo nesta quinta (dia 5), se reuniu em torno do lançamento do Mulheres do Sim.
Num animado almoço após a palestra de Obama (a quem todas assistiram), Rachel Maia, presidente da joalheria Pandora, e Gal Barradas, fundadora e co-CEO da BETC/Havas e vice-presidente da Abap (Associação Brasileira das Agências de Propagandas), apresentaram o Mulheres do Sim, rede idealizada por elas que pretende conectar e dar suporte a iniciativas encabeçadas por empreendedoras.

 

“Não vou criar um movimento nem um instituto ou ONG”, explica Rachel Maia, principal entusiasta da ideia. “Quero que as mulheres saibam que podem contar comigo: se elas quiserem me mostrar um projeto no fim de semana, vou conhecer, seja lá onde for. A ideia é empoderar iniciativas que já existem”, afirma ela. Para Rachel, o principal objetivo do Mulheres do Sim é “fazer barulho”: “As presidentes [de empresas] mais importantes do País estão reunidas aqui hoje, e eu tenho a responsabilidade de ser a agregadora”, acredita.

Rachel Maia celebre o lançamento de Mulheres do Sim com um brinde (Foto: Charles Naseh)

O Mulheres do Sim nasce como uma ação afirmativa desde o título. “A vida inteira, ouvimos muitos ‘nãos’: ‘Você vai mesmo assumir esse emprego? Seu marido não vai gostar...’; ‘Não veste essa roupa!’; ‘Você pretende mesmo engravidar? Não me fala isso!’”, descreve Gal Barradas, parceira de Rachel na empreitada. “Ainda existe muito preconceito e não há motivo algum para que, no Brasil de 2017, as mulheres aceitem continuar nessa posição”, defende ela, lembrando ainda que, hoje, as brasileiras representam a maior parte dos microempreendedores, além de serem 50% dos chefes de família.
Gal destacou que, a maioria das convidadas do encontro – do qual participou também o ministro Joaquim Barbosa, um dos únicos homens presentes no local –, já tem como prática partilhar suas experiências com as colegas de trabalho. “São empreendedoras e executivas que, embora tenham conquistado seu espaço no mercado, jamais deixaram de trabalhar para que outras mulheres também ocupem esse espaço. Quando dividimos boas práticas, elas se multiplicam”, diz Gal.

 

Entre as iniciativas colocadas em práticas por essas executivas, estão a atuação como mentoras; outras, aplicam nas empresas políticas pela igualdade de gênero. “Hoje, 94% do quadro de funcionários da Pandora é constituído por mulheres”, descreve Rachel. “Quando uma delas tem bebê, no primeiro mês após o fim da licença maternidade, ela tem duas horas a mais livres para amamentar do que o permitido pela lei. No segundo e no terceiro mês, mais uma. Não quero que elas desistam do trabalho em função do tempo que têm de dedicar ao bebê”, diz a empresária. Além disso, afirma Rachel, a joalheria também tem programas para diversidade racial.

Ana Bogus, diretora geral da Kimberly Clark (Foto: Charles Naseh)

Atitudes semelhantes são pratica também em empresas de outras convidadas presentes no almoço. “Eu, por exemplo, tenho uma mentora, uma analista que me conta como é a vida da mulher real e se elas conseguem que suas ideias cheguem até mim”, conta Ana Bogus, diretora geral da Kimberly Clark no Brasil. “Somos uma empresa inclusiva. Nosso board mundial é 50% feminino. Influenciamos as mulheres a levantarem as mãos e falarem: é a cultura da empresa”, explica a executiva.
Quem mais vai lucrar com a criação do Mulheres do Sim são realizadores como Ana Fontes, responsável pela Rede Mulher Empreendedora - ação lançada em 2010 que agrega mais de 300 mil participantes em todo o Brasil. “Tudo começou como um blog, no qual eu relatava minhas próprias dificuldades como empreendedora”, conta Ana. “Depois, eu transformei esse canal num site e, hoje, o Rede Mulher é um instituto que ajuda as mulheres a empreender promovendo cursos, capacitação e eventos, em que voluntárias tiram dúvidas para ajudar e inspirar outras a empreenderem.”

 

A instituição atua com o apoio de empresas como Facebook, Google, banco Itaú e a própria Pandora – com quem Ana acaba de lançar um livro com frases inspiradoras para mulheres, que será vendido nas lojas da joalheria e terá renda revertida para a Rede. “O Mulheres do Sim é fantástico porque, o que a Rachel está propondo, são coisas simples: encontros e apoios reunindo pessoas com o mesmo propósito. Acredito que iniciativas menores, como essa, são mais efetivas”, acredita Ana, que deve atuar apresentando empreendedoras ligadas à Rede às executivas por trás do Mulheres do Sim.

Ana Fontes, criadora da Rede Mulher Empreendedora, apresenta a instituição às convidadas do Mulheres do Sim (Foto: Charles Naseh)

Um dos rostos mais famosos ligado às causas feministas e raciais, Taís Araújo acredita que a principal finalidade do encontro é promover a união: “Essas executivas pensam em como a gente pode melhorar a vida de todas as mulheres”, acredita a atriz. “Eu sabia sobre a atuação de muitas pessoas que estão, mas não as conhecia pessoalmente. Como disse Obama hoje, é preciso sair do virtual e ir para o mundo real. A partir daí, uma pode potencializar a outra.” Para Taís, muito se tem falado sobre o feminismo, a cumplicidade e a importância de empoderar outras mulheres, e o Mulheres do Sim é uma chance de colocar isso em prática. “É preciso atuar para, de fato, conseguir mudanças no mercado de trabalho, na academia e em todos os outros lugares onde atuamos como sociedade civil.”

Mulheres do Sim: executivas e empresárias reunidas para o lançamento da ação que pretende empoderar microemprededoras (Foto: Charles Naseh)

 

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