Veja a história de duas negras de destaque na área da arquitetura

 

TEXTO E FOTO: Roniel Felipe | Adaptação web: David Pereira

A arquiteta Lorena Silva Pereira | FOTO: Roniel Felipe

A arquiteta Lorena Silva Pereira | FOTO: Roniel Felipe

Após obter o diploma universitário, Lorena Silva Pereira, como todo recém-formado, saiu em busca de emprego e de uma vida melhor. Nascida e criada em Ipameri, município localizado a quase 200 quilômetrosde Goiânia, a tímida jovem foi buscar a sorte em Brasília. Após se esforçar para concluir o curso de arquitetura e urbanismo da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Lorena esbarrou no machismo em sua primeira entrevista de emprego. “O entrevistador perguntou se eu era casada. Desconversei. Logo em seguida, ele me disse que mulheres bonitas não ficam sozinhas quando trabalham em obras. Fiquei muito desanimada e revoltada com a situação”, recorda.

Após sete anos da fatídica entrevista, a ainda tímida goiana tornou-se uma arquiteta de sucesso. “Estava formada há dois anos e, para minha surpresa, fui aprovada no mestrado em engenharia civil da Universidade Federal de Goiás (UFG). Quando estava para terminar o curso, vim para São Paulo fazer alguns trabalhos e, quando dei por mim, já estava completamente envolvida em obras na maior cidade do brasil.”

Com um currículo dinâmico e a participação em projetos de destaque, como a reforma de uma luxuosa loja da rua Oscar Freire, região nobre de São Paulo, hoje, aos 32 anos de idade, Lorena viaja o Brasil como supervisora de instalações, prestando serviços para uma das maiores lojas de departamentos de roupas e calçados do país. “É um trabalho dinâmico e que dá uma oportunidade maravilhosa de conhecer outros estados. atualmente supervisiono obras nas cidades de Manaus, Macapá e Marabá”, relata a arquiteta que, além de admirar a obra de Oscar Niemeyer, Lúcio Costa e Paulo Mendes da Rocha, é fã da arte de J. Max Bond Jr., famoso arquiteto negro americano, falecido em 2009.

A paulistana Kaísa Isabel Santos, 32 anos, é outra arquiteta negra que tem conquistado seu espaço no mercado. Formada pela Universidade Braz Cubas em 2005, Kaísa atua como arquiteta e urbanista na área de legislação, paisagem urbana e questões de reassentamento. Aos interessados pela área, ela adverte: “Para ser arquiteto e urbanista é necessário bagagem e gosto por atualização. Sem isso, você corre o perigo de estagnar-se em algum cargo por anos ou ser escravo de salários irrisórios e contratações duvidosas.”

Trabalhadora de um ramo no qual a maioria esmagadora é composta por brancos e estudantes oriundos de colégios particulares, ela chama a atenção para uma realidade que costuma vivenciar. “Na Universidade não havia outro aluno negro na sala de aula na maior parte do curso. Quando digo que sou arquiteta, algumas pessoas me parabenizam e recebo cumprimentos de mulheres negras que abandonaram os estudos. Sempre digo a elas que nunca é tarde para recomeçar.”
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