Acompanhe a segunda parte da matéria sobre o assassinato de Patrice Lumumba pelo governo dos Estados Unidos

 

TEXTO: Oswaldo Faustino | FOTO: Daniel Rosa | Adaptação web: David Pereira

O assassinato de Patrice Lumumba foi encomendado por Dwight D. Eisenhower, então presidente dos Estados Unidos | FOTO: Daniel Rosa

O assassinato de Patrice Lumumba foi encomendado por Dwight D. Eisenhower, então presidente dos Estados Unidos | FOTO: Daniel Rosa

Leia o primeiro trecho da matéria aqui.

A CIA e o exército belga, agora sob ordem do rei Balduíno I, financiaram as lideranças regionais para destituir o novo governo. Convenceram os habitantes de que Katanga, tão rica, não poderia ficar sob o domínio comunista. Dez semanas depois da posse, revoltas eclodiram em todo o país sob liderança de Moise Tshombe. A ONU enviou os boinas azuis da Força de Paz sob comando norte-americano, mas Lumumba foi sequestrado por mercenários, torturado e fuzilado diante do “soldados da paz”. Ao assumir o poder, Tshombe enfrentou novas rebeliões. Houve golpes e contragolpes, até 1965, quando Mobutu Joseph Désiré tomou o poder e permaneceu por mais de três décadas.

A política de “africanização” de Mobutu, proibindo nomes ocidentais e cristãos, mudando a denominação do país para Zaire e a da capital de Leopoldville para Kinshasa, também incomodou o Ocidente, que o apoiava. Ele mudou até o próprio nome para Mobutu Sese Seko Koko Ngbendu wa za Banga, que significa “o todo-poderoso guerreiro que, por sua resistência e inabalável vontade de vencer, vai de conquista em conquista, deixando fogo à sua passagem”. Nas duas décadas que se seguiram, o país enfrentou a guerra civil. Agora, os ocidentais financiavam o oposicionista, Laurent-Désiré Kabila.

Vencido, em 1997, Mobutu fugiu para o Marrocos, onde morreu. Kabila assumiu o poder e o país voltou a se chamar República Democrática do Congo. O novo governo prometeu democratização, mas tomou medidas autoritárias, gerando novas revoltas, agora patrocinadas pelos governos de Ruanda e Uganda, conforme os interesses das potências ocidentais.

Laurent Kabila se manteve na presidência, graças ao apoio militar de Angola, Zimbabwe e Namíbia, até ser assassinado, em 2001. Em 2006, aconteceram as primeiras eleições presidenciais naquele país, depois de 40 anos. O vencedor foi Joseph Kabila Kabange, filho de Laurent, que ainda preside o país. Resta saber se a significativa indenização devida pelos EUA por sua responsabilidade no assassinato de Lumumba ajudará a fortalecer esse país democrático e ressarcirá os herdeiros daquele que foi um dos grandes líderes do continente africano no século 20.
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