O assassinato de Patrice Lumumba, primeiro ministro da República Democrática do Congo, em 17 de janeiro de 1961, foi encomendado por Dwight D. Eisenhower, presidente dos Estados Unidos, e pago pelo governo de John F. Kennedy, seu sucessor. Saiba mais

 

TEXTO: Oswaldo Faustino | FOTO: Reprodução | Adaptação web: David Pereira

Patrice Émery Lumumba | FOTO: Reprodução

Patrice Émery Lumumba | FOTO: Reprodução

"O tempo é senhor da razão” diz o provérbio, segundo o qual o passar do tempo esclarece todas as dúvidas. Foi necessário mais de meio século para o Estado norte-americano admitir sua responsabilidade no homicídio que vitimou Patrice Lumumba, líder da independência do antigo Congo Belga, cujas consequências o tornam um crime de lesa-humanidade. Hoje, já se sabe que o republicano Eisenhower ordenou diretamente a Allen Dulles, diretor da CIA de 1953 a 1961, que Lumumba fosse eliminado.

A agência montou o “Projeto Wizard” e a missão só foi cumprida no início do governo do democrata JFK, que destinou 500 mil dólares para pagamento das tropas e equipamentos militares, no Congo. Boa parte dessa quantia foi recebida pelos assassinos do primeiro ministro congolês. Em depoimento ao senado norte-americano, em 1975, que investigava o assassinato de Kennedy, Robert Johnson afirmou que no momento em que o presidente dos EUA deu essa ordem direta a Dulles, provocou no grupo presente na reunião um silêncio que durou cerca de 15 segundos. Há até pouco tempo, a gravação desse depoimento foi mantida em segredo.

Os antecedentes da tragédia:

Financiado por Leopoldo II, o rei da Bélgica, em 1878, o explorador Henry Stanley chegou à África Central com a missão de fundar entrepostos comerciais com povos da etnia Banto, distribuídos em algumas centenas de reinos, sendo os dois maiores Baluba e Congo. A descoberta de que as montanhas de Katanga, ao sul da região, guardavam milhares de toneladas de diamantes despertou a cobiça das nações europeias e de seus aliados. A Conferência de Berlim, entre 19 de novembro de 1884 e 26 de fevereiro de 1885, decretou que aquele território era uma possessão pessoal de Leopoldo II, responsável por um dos maiores genocídios da história da humanidade, e em 1908 foi oficializado como colônia da Bélgica, passando a se chamar Congo Belga.

Através de mineradoras multinacionais e da violenta força de repressão colonial, o Ocidente explorou o Congo e seus povos, na primeira metade do século 20, até surgir um líder eloquente e anticolonialista convicto chamado Patrice Émery Lumumba. Funcionário dos correios, nascido em 1925, em Sancuru, província de Kasai, ele fundou, em 1958, o MNC – Movimento Nacional Congolês. Em 30 de junho de 1960, o país conquistou a independência e a maioria dos colonos europeus fugiu. Realizaram-se eleições que tornaram Joseph Kasavubu presidente, e Lumumba primeiro ministro. A busca de apoio institucional e militar na União Soviética revoltou a opinião pública ocidental.

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