O colunista Fábio Rogério escreve sobre o espírito de compaixão do Natal. Confira

 

TEXTO: Fábio Rogério | FOTO: Cláudio Lira | Adaptação web: David Pereira

O colunista Fábio Rogério | FOTO: Cláudio Lira

O colunista Fábio Rogério | FOTO: Cláudio Lira

Se não puxarmos o trenó, não puxaremos o carnaval”, “se nós não nos comportarmos, não ganharemos presente”. Afinal, se acreditamos em tantos ditos populares, porque não acreditar em Papai Noel? Como disse o rapper MC Jack, “estamos subindo e descendo nas ladeiras dos grandes centros urbanos”. Abrindo as páginas desta revista, você se liberta de tudo que é ruim e descobre como Deus é bom!

Mas, infelizmente, há tempos sentimos medo. Fogos de artifício lembram tiros, que nos assustam. Não há espera pela entrada do Papai Noel na noite de Natal, pois essa mesma entrada pode trazer criminosos para dentro do nosso lar. Tudo trancado. Falta segurança e o que temos é apenas uma sensação de segurança atrás de muros e portas trancadas. Muito do que poderia ser investido em segurança acaba sendo desviado em órgãos públicos.

A desigualdade leva ao aumento da criminalidade e balas acertam jovens inocentes na periferia devido a abuso de autoridade, uma tentativa falha de controle sobre a situação. Um ótimo presente de Natal seria a aprovação da lei que inibe atos covardes contra jovens afrodescendentes. Repartir a ceia será certamente delicioso para quem cultua a família neste Natal, mas não podemos esquecer das milhares de crianças sem família que moram na rua e gostariam de ganhar presentes. Elas sonham com roupas de marca, sonham com os brinquedos atrás das vitrines, sonham com o estilo de vida “branco” que mascara um separatismo social hipócrita.

Mas se a data é festiva, por que não desejar que lares desunidos e pais com filhos problemáticos que necessitam de um perdão se entendam? Hora de deixar as frustrações do passado para trás. A frustração não é só não ter, é saber reagir à privação de certas coisas. É necessário entender que o Natal traz, na verdade, um espírito de compaixão que nos aproxima dos entes queridos, nos aproxima de Jesus. Independente da riqueza do Papai Noel de cada um, o que vale mesmo é curtir a ceia e celebrar a harmonia, até porque, como diz o rapper Kamau, “na vida nosso mundo ainda gira”.

Neste mês de reflexão, temos a oportunidade de crescer e amadurecer, é hora de nos transformar e depois transformar o mundo. O Natal aflora o melhor que nós temos a oferecer, nos faz menos egoístas. Tentemos levar isso pelo ano todo. A mensagem de Cristo nos purifica e nos torna mais sábios.

O rap desafia conceitos, pois enquanto o mundo diz ”vá por aqui”, ele encoraja a ir pelo caminho mais difícil – e recompensador. Em épocas de consumismo desenfreado, talvez o que falte é um evangelho tipo “feijão com arroz”, com menos visão de anjos e com mais foco na palavra. Mais ação, vamos deixar de lado os conceitos sobre espiritualidade e agir, formando laços de solidariedade entre pessoas dignas. Como diz Gog, “dia após dia, tem irmão com más intenções, criando ONGs para servir sopão na madrugada e nada mais”. É triste, mas tem gente que ajuda pobre para se autopromover. É como aquela história abordada por Ndee Naldinho: “Deus, olhai meu povo da periferia”.

Acredito que a corrente cara que nos fecha o corpo pode nos envaidecer, mas nossos olhos precisam estar sóbrios. De que vale viver cobiçosamente se iremos nos surpreender com a brevidade da vida material? Cuide de si, irradie luz às pessoas e acredite que sua liberdade poder ser inspirada nos pássaros.

Feliz Natal a você leitor e simpatizante da cultura negra, espero que sua vida só lhe traga coisas boas! Como diz O Rappa, “pra quem tem fé viver nunca tem fim”.
Quer ver esta e outras matérias da revista? Compre esta edição número 185.

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