Localizado em São Paulo, o Museu Afro Brasil é importante órgão de valorização da arte afro-brasileira

 

TEXTO: Oswaldo Faustino | FOTO: Rafael Cusato | Adaptação web: David Pereira

O curador do Museu Afro Brasil, Emanoel Araújo | FOTO: Rafael Cusato

O curador do Museu Afro Brasil, Emanoel Araújo | FOTO: Rafael Cusato

Não fosse a dedicação quase obsessiva do escultor, museólogo e curador do Museu Afro Brasil, Emanoel Araújo, à pesquisa e também construção de um riquíssimo acervo da arte produzida pela mão afro-brasileira, jamais tomaríamos conhecimento de algumas dezenas de nomes de artistas afro-brasileiros que produziram arte em todas as linguagens e técnicas,alguns dos quais até com algum reconhecimento sem, porém, figurar nas listas dos que mereceram estudos mais aprofundados nas escolas de Belas Artes. Obras desses artistas figuram entre as preciosidades do acervo do museu que tem a curadoria de Emanoel que, por sua vez, não só organizou exposições específicas como elaborou e publicou o livro ricamente ilustrado A Mão Afro-brasileira, já em segunda edição, com dois volumes, num total de 868 páginas.

Entre a segunda metade do século 19 e nas primeiras décadas do século 20, por exemplo, artistas afro-brasileiros se destacaram na produção clássica, mas jamais foram estudados nem mencionados por historiadores que se dedicam às artes plásticas. Na apresentação de uma exposição de suas obras, Emanuel Araújo foi enfático: “Os maus-tratos, a ignorância e a insensibilidade com que se trata, no Brasil, a história e a memória iconográfica” seriam os responsáveis pelo ostracismo a que foram relegados esses personagens, cuja vida “foi uma interminável batalha, um grande esforço pessoal, de uma tenacidade inimaginável, pela afirmação e reconhecimento de suas obras.” A mesma sociedade que estigmatiza um povo, com base em preconceitos construídos por meio de factoides, deveria resgatá-lo a partir de seus valores socio-culturais. E Emanuel conclui: “O fato de seus nomes permanecerem já credencia a raça negra ao reconhecimento da nação pela sua contribuição à construção da cultura brasileira.”

Assim tomamos conhecimento de que, naquelas décadas de passagem de séculos, pintores negros e mestiços estudaram na Casa da Moeda do Rio de Janeiro, no Liceu de Artes e Ofícios e na Academia Imperial de Belas Artes, viajaram para a Europa e a maioria continuou seus estudos em Paris. Nomes como os irmãos Arthur Timótheo (1882 -1922) e João Timótheo (1879 -1932), que morreram num manicômio; Benedito José Tobias (1894 -1963); Benedito José de Andrade (1906 -1979); Emmanuel Zamor (1840 -1917), sobrenome herdado de seus pais adotivos; Estevão Silva (1845 -1891); Firmino Monteiro (1855 – 1888); Horácio Hora (1853 -1890); Rafael Pinto Bandeira (1863 -1896) e Wilson Tibério (1923-2005). Este último, gaúcho, se envolveu em movimento revolucionário no Senegal, foi expulso daquele país e retornou à França, onde viveu por anos e permaneceu até morrer.

 
Quer ver esta e outras matérias da revista? Compre esta edição número 170.

Comentários

Comentários