A maioria de nós aplaudiu, em 2008, a eleição de Barack Obama para a presidência dos EUA e, em nossas comunidades, se ouvia expressões como: “Já pensou quando o Brasil também tiver um presidente negro?” Veja a coluna de Oswaldo Faustino sobre como os comunistas chegaram a sonhar com um presidente negro no Brasil

 

TEXTO: Oswaldo Faustino | FOTO: Divulgação | Adaptação web: David Pereira

 

Minervino de Oliveira | FOTO: Divulgação

Minervino de Oliveira | FOTO: Divulgação

Na verdade - até já contei nesta coluna -, tivemos um presidente de origem afro, o Nilo Peçanha. Mas um presidente assumidamente negro, não. Porém, há pouco mais de 80 anos, o Bloco Operário Camponês (BOC), sigla que encobria a atuação eleitoral do Partido Comunista do Brasil, lançou a candidatura de um negro à presidência. Ele se chamava Minervino de Oliveira.

Nascido no Rio de Janeiro, em 1891 – três anos após a abolição da escravatura –, Minervino começou a trabalhar como aprendiz numa tecelagem. Depois, aprendeu o ofício de marmorista. E foi nessa categoria profissional que se tornou um líder sindical e ingressou no fundado PC do B. Candidato, em 1927, a intendente (vereador), em parceira com Octávio Brandão, realizou vários comícios, muitos dos quais terminaram em prisão, e, um deles, na porta do Arsenal da Marinha, na morte de um operário com um tiro na cabeça. Minervino e Brandão foram os dois primeiros vereadores comunistas do Rio de Janeiro, na época, Capital Federal.

Dois anos depois, Minervino foi escolhido secretário geral da Confederação Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB). No mesmo ano, seu nome foi indicado pelo PC do B para candidatar-se à presidência da República, como alternativa à disputa entre Getúlio Vargas, pela Aliança Liberal (AL), e Júlio Prestes, pelo Partido Republicano (PR). Em campanha, novas prisões. Nas eleições ganhou Júlio Prestes, mas não levou por conta da revolução que guindou Vargas ao poder.

Se a República Velha o reprimiu tantas vezes, o governo de Vargas não foi mais complacente. Preso em outubro de 1930, Minervino de Oliveira foi enviado para a temida Colônia Correcional de Dois Rios, na Ilha Grande, de onde só saiu em fevereiro de 1931. Com o fechamento dos partidos em 1937, ele entrou para a clandestinidade, atuando internamente no partido. Minervino participou do XX Congressodo Partido Comunista da União Soviética, em 1956. Morreu no início de 1960.

Enfim, o sonho foi plantado. Quando será que irá florescer?

 

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