Em 1975 a Budweiser patrocinou a execução de mais de 30 obras de arte com o título "Great Kings of Africa". Oswaldo Faustino conta essa história

 

TEXTO e FOTO: Oswaldo Faustino  | Adaptação web: David Pereira

Representação de uma rainha africana | FOTO: Oswaldo Faustino

Representação de uma rainha africana | FOTO: Oswaldo Faustino

nossos pares. O boicote ao consumo de produtos que desconsideram o consumidor negro e a eleição das marcas que agem de maneira oposta transformaram-se numa arma importantíssima das questões étnico-raciais. Não sabemos se foi por esse motivo que a cerveja americana Budweiser patrocinou, em 1975, a execução de mais de 30 obras de arte, produzidas por expressivos artistas plásticos daquele país, com o título de Great Kings of Africa. Transformada em gravuras – o que barateou muito seu preço – a coleção traz em cada pôster uma breve história do rei ou rainha do passado africano retratado (a) sob orientação do historiador John Henrik Clarke (1915-1998). Tornou-se uma febre não só entre militantes, mas também entre os afro-americanos considerados “comuns”. As imagens foram adquiridas por escolas e serviram de referência para o estudo de história da África.

O patrocínio da cervejaria suscitou protestos de brancos e também de negros conservadores, que afirmaram ser um estímulo ao consumo de bebidas alcoólicas pelas crianças. Tive a felicidade de conhecer essas gravuras que adornam as paredes da sala de meu amigo, o regente de coral e cantor baixo-profundo, Estevão Maya Maya. É bater o olho e automaticamente sentir o orgulho a nos arrepiar o corpo e efervescer a alma.

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