O capítulo de terça-feira (30) de “Malhação – Viva a Diferença”, exibido pela Rede Globo, causou revolta à Polícia Militar de São Paulo e muitos telespectadores que acompanham a novela adolescente da emissora.

As cenas exibidas mostravam ao telespectador a Polícia Militar de São Paulo praticando crime de corrupção e racismo contra negros e orientais. Ao checar os documentos de um casal de personagens, o intérprete do policial diz frases como ‘”o negão está falando aqui que namora com a japinha” e “mano é gente da tua cor”, na sequencia conduzindo os dois até um Distrito Policial. A cena termina com o personagem sugerindo uma ação violenta ao pai da garota, que nega a proposta. “O senhor tem certeza que não quer que a gente cuide do garoto?“, insiste o personagem do “policial”.

De acordo com a PM, o folhetim “generalizou toda uma instituição” ao exibir a cena. “Os feitos positivos da Polícia Militar paulista e as ações destemidas de seus integrantes são evidentes e sobrepõem-se, inquestionavelmente, aos desvios de conduta, que são pontuais. Cenas lamentáveis como induzir o telespectador a criar uma concepção falsa de sua polícia distorcem a realidade de sua essência de conciliação e abnegação”, diz o texto assinado pelo coronel Nivaldo Restivo, comandante-geral da corporação.

O deputado federal Major Olímpio (SD-SP) protocolou nesta quarta-feira uma representação na PGR (Procuradoria Geral da República) e no Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações contra a Globo por causa da cena apresentada no episódio.

De acordo com o documento elaborado pelo parlamentar, a emissora viola os artigos 220 e 221 da Constituição ao “veicular programa ofensivo à instituição pública com caráter discriminatório e de estímulo a práticas racistas contra pessoa de origem oriental e negra”.

Segue o diálogo apresentado na cena:
Policial Militar: Posso saber o que o senhor faz com uma menor?
Anderson: Somos namorados, senhor.
PM: Pascoal, o negão está falando aqui que namora com a japinha.
Tina: Qual o problema?
PM: Resolveu falar agora, japa?
Tina: Não pode falar assim com a gente.
PM: E como é que tenho que falar então?
Anderson: Deixa ela, mano.
PM (Com dedo em riste): Escuta aqui, não estou falando contigo rapaz e mano é gente da tua cor.
Tina: Você está louco, isso é racismo.
PM: Ô Pascoal, isso aqui é desacato a autoridade, não é não? Bora levar eles para o DP, hein? O negão vai em cana direto se você não ficar quietinha, viu japa? Acho bom ligar para seu pai logo senão a coisa vai feder para você e seu namoradinho aqui.

O policial finaliza a situação com o pai da jovem fazendo uma insinuação, mas o pai da adolescente nega a proposta. “O senhor tem certeza que não quer que a gente cuide do garoto?”, diz o PM.

Veja abaixo cópia da representação em desfavor da Rede Globo.

Nota de Repúdio da Associação de Cabos e Soldados da PMSP.

NOTA DE REPÚDIO À REDE GLOBO – Programa “Malhação”

Mais uma vez a Rede Globo de televisão desrespeitou a nossa valorosa Polícia Militar!

No episódio do dia 30/05/2017 do programa Malhação a emissora ofendeu o trabalho de toda a Corporação exibindo uma situação ofensiva de abordagem policial a dois jovens de etnias diferentes – um descendente afro e uma asiática – tratando-os de forma desrespeitosa e preconceituosa, abusando até de sua autoridade como policial.
A Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar do Estado de São Paulo (ACSPMESP), presidida pelo Cabo Wilson de Oliveira Morais, manifesta sua indignação com essa cena exibida pela emissora, ainda mais em um programa voltado para o público adolescente.
A cena agravou-se ainda mais pelos crimes de discriminação racial e abuso de autoridade partindo de um agente da segurança pública, especificamente da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Por que colocar a instituição que defende a sociedade contra a sociedade?
Ficou muito clara a tentativa absurda da Rede Globo rotular a PM como rival número um da sociedade. Foi uma ofensa desnecessária aos homens e mulheres policiais militares que sacrificam a própria vida em defesa dos cidadãos, todos os dias.
Como representante de cerca de 70 mil policiais militares, a Associação dos Cabos e Soldados recorrerá a medidas legais contra a emissora.

Wilson de Oliveira Morais
Presidente da ACSPMESP

A cena vem gerando diversas manifestações pelas redes sociais:

 

 

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