O colunista Maurício Pestana escreve sobre as políticas educacionais nas gestões presidenciais de Lula e FHC

 

TEXTO: Maurício Pestana | FOTO: Rafael Cusato | Adaptação web: David Pereira

O colunista Maurício Pestana | FOTO: Rafael Cusato

O colunista Maurício Pestana | FOTO: Rafael Cusato

Um dos fatos de destaque no mundo acadêmico recentemente foi a notícia de que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso recebeu o título de doutor honoris causa pela Universidade de Tel Aviv, em Israel, uma das instituições de ensino mais respeitadas do mundo. FHC é o primeiro latino-americano a receber tal honraria.

O fato me fez refletir sobre algo inevitável: comparar, principalmente na área da educação, os resultados obtidos pelo professor doutor FHC nos oito anos em que foi presidente do país, contra os dois mandatos do ex-presidente do Brasil, o operário Luiz Inácio Lula da Silva, com apenas o seu 4º ano primário concluído.

Mesmo com todo o discurso vigente, que aponta a necessidade de mais investimentos na educação e a importação de mão-de-obra especializada, em função do avanço da economia e da carência de profissionais qualificados em algumas áreas, foi exatamente no governo Lula que houve o maior salto quantitativo e qualitativo na educação brasileira.

Não há registros, em nossa história, de outro período onde se tenha criado tantas universidades federais e escolas técnicas como ocorreu entre 2002 e 2010. Neste mesmo período, foram criados ou impulsionados outros programas de inclusão e democratização de vagas nas universidades, como o SISU e as cotas sociais e raciais, além do PROUNI, que foi, destacadamente, o maior programa de inclusão social e racial na educação superior. Em números absolutos, beneficiou cerca de 1,3 milhões de estudantes, número próximo da metade da população do Uruguai.

Pode-se afirmar que essa diferença acentuada entre FHC e Lula na forma de governar, principalmente na área de educação, se deve ao fato de que a elite intelectual do Brasil sempre privilegiou a educação dos seus pares. Foi assim durante os 380 anos de escravização negra e também em todo o século XX. E foi preciso a ascensão à presidência de um operário sem formação acadêmica para essa história começar a mudar de forma radical.

Esperamos que esses avanços em breve nos levem muito além de títulos honoris causa, quem sabe um Nobel, título esse que o país, com seu perfil de elite acadêmica, nunca conquistou.
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