Dia 24 de outubro de 2017, foi realizado um encontro inédito na cidade de São Paulo, um encontro que reuniu CEOs e experts em igualdade de raça e gênero para ampliar significativamente a inclusão e ascensão econômica de mulheres e homens negros no setor privado. O encontro produziu ações catalizadoras denominado “Brasil Diverso – Todos pela inclusão”, previsto para o primeiro semestre de 2018, e a plataforma Brasil Diverso, que conterá informações para empresas que busquem desenvolver ações afirmativas.

A primeira reunião do Brasil Diverso contou com líderes empresariais como Theo van der Loo, CEO da Bayer,  Maurício Azevedo, Gerente Geral da Microssoft,  Rachel Maia, CEO da Pandora, entre outros, além de especialistas em igualdade racial e de gênero como Denise Hirao, especialista em direitos das mulheres. Há décadas debato este tema e hoje ocupando o cargo de diretor-executivo da Revista Raça e colunista da IstoÉ Dinheiro, estarei coordenando o encontro.

Foram discutidos potenciais caminhos para acelerar as ações voltadas para a diversidade e a igualdade nas empresas e para aproximar a população negra das empresas interessadas em trabalhar a diversidade no seus quadros funcionais.

Promover um encontro para debater a igualdade de oportunidades profissionais, neste momento turbulento para o Brasil, é um passo fundamental para não perdermos o progresso que tivemos em anos recentes. Para além de uma pauta de justiça e direitos humanos, a igualdade racial também diz respeito à necessidade das empresas de se sintonizarem com seus diversos públicos – trabalhadores, consumidores, acionistas, etc. Tenho ressaltado isso em todos os espaços por onde tenho palestrado como o fiz recentemente Fórum CEO Brasil do Experience Club na praia do Fort para mais de 100 CEOs de todo o Brasil.

Segundo o IBGE, os negros são hoje mais de 54% de toda a população brasileira. No entanto, apesar de serem maioria, eles não conseguem chegar aos cargos de comando. Isso não acontece por acidente, é o resultado de uma determinação histórica e social cruel, mas que pode ser revertida.

A desigualdade racial não será resolvida se fingirmos que ela não existe, e tende a impactar ainda mais negativamente a população negra em tempos de crise. Faz-se necessário, portanto, uma atuação proativa, a partir de uma visão de igualdade e direitos humanos”.

O Brasil Diverso originou-se da convergência de atores do mundo empresarial e público em torno do tema da equidade racial no setor privado. Essa convergência ocorreu nas três edições do Fórum São Paulo Diverso, promovido pela Secretaria Municipal de Promoção da Igualdade Racial da Prefeitura de São Paulo e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) entre 2014 e 2016, período em que eu ocupava o cargo de Secretario de Promoção da Igualdade Racial da Cidade de São Paulo.

O São Paulo Diverso é considerado um marco para o tema da equidade racial no setor privado por ter atraído grandes lideranças do mundo empresarial, incluindo diversos CEOs, além de autoridades públicas brasileiras e internacionais. O São Paulo Diverso também ampliou significativamente a cobertura da mídia sobre o tema e trouxe visibilidade para as iniciativas já existentes. Além disso, congregou atores interessados no tema, ajudando a criar colaborações, novas iniciativas e intercâmbio de informações.

Por entender que a iniciativa iniciada no São Paulo Diverso deveria continuar e ser ampliada para o âmbito nacional, alguns desses stakeholders uniram-se para formar o Conselho Brasil Diverso, órgão de governança desta iniciativa.

 

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