Por meio do projeto “Pedra da Memória”, o babalorixá Euclides Talabyan realizou seu sonho de encontrar-se com as próprias origens. Assim nasceram um filme, um livro e uma exposição sobre a redescoberta do Brasil, na África

 

TEXTO: Oswaldo Faustino | FOTO: Renata Amaral | Adaptação web: David Pereira

Babalorixá | FOTO: Renata Amaral

Babalorixá | FOTO: Renata Amaral

Nos pouco menos de 828 quilômetros quadrados da ilha de São Luís, no Maranhão, encontram-se mais de seis dezenas de terreiros, onde se pratica as mais diversas religiões de matriz africana. Dentre os mais tradicionais, onde se cultua o candomblé da nação Jeje-Nagô, está a Casa Fanti Ashanti, no Cruzeiro do Anil, dirigida por Euclides Menezes Ferreira, o Pai Euclides Talabyan, que no mês de julho completou 77 anos. Ele conta que a primeira manifestação dos orixás em sua vida deu-se quando estava com apenas 7 anos e costuma afirmar: “Minha universidade é o tempo”.

O jovem Euclides iniciou-se no Tambor de Mina,no Terreiro do Egito, em São Luís, fundado em 1864 por uma africana de Kumasi, na antiga Costa do Ouro, atual República de Gana. Depois, foi ao Recife e no Terreiro Obá Ogunté, conhecido como Sítio de Pai Adão, confirmou-se que seu ori (cabeça) é comandado por Oxaguian e Oxum. Lá, recebeu os fundamentos religiosos. Ao retornar, em 1958, fundou a Casa Fanti Ashanti, nome referente a dois povos da Costa do Ouro.

Em 1998, o Pai Euclides participou do documentário “Atlântico Negro – Na Rota dos Orixás”, de Renato Barbieri. Numa das cenas, esse babalorixá canta uma cantiga, em língua fongbé, cuja gravação é apresentada a sacerdotes africanos, no Benin, que compreendem perfeitamente a mensagem e a respondem. Desde então,o sacerdote maranhense sonhava encontrar-se com esses parentes do lado de lá do Oceano Atlântico. A tentativa de fazê-lo com uma continuidade do projeto “Atlântico Negro” malogrou.

Veja a segunda parte da coluna.
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