Ídolo do West Browich marcou época nas décadas de 70 e 80 e foi inspiração para jogadores negros na seleção inglesa

Cyrille Regis, pela seleção inglesa, em 1982 (Peter Robinson/EMPICS/Getty Images)

O futebol inglês perdeu nesta segunda-feira um de seus ícones das décadas de 1970 e 1980. Nascido em Maripasoula, na Guiana FrancesaCyrille Regis morreu aos 59 anos, vítima de infarto. Considerado um importante símbolo da luta contra o racismo, ele foi o terceiro negro a vestir a camisa da seleção inglesa, pela qual participou de cinco partidas e tornou-se inspiração para uma legião de jogadores que os sucederia no time.

Regis mudou-se com a família para Londres aos cinco anos e iniciou a carreira no Molesey, clube das divisões inferiores da Inglaterra, ainda em 1975. Ganhou mais destaque em 1977, quando foi contratado pelo West Bromwich, das divisões principais. Passou por Coventry City, Aston Villa, Wolverhampton, Wycombe Wanderers e Chester City, mas teve maior sucesso no West Bromwich (que defendeu até 1984) e no Coventry, entre 1984 e 1991.

Atacante de habilidade e força física, foi convocado à seleção inglesa e tornou-se o terceiro jogador negro a vestir a camisa do time, após Viv Anderson e seu companheiro de clube, Laurie Cunningham. Após sua aposentadoria em 1996, fez campanha contra o racismo no futebol e inspirou diversos jogadores que defenderiam a seleção, como Andy Cole, ídolo do Manchester United, campeão da Liga dos Campeões em 1999. “Meu herói, o pioneiro, o homem por trás da razão que me fez querer jogar futebol”, afirmou Cole nesta segunda.

Em sua passagem pelo West Bromwich, sofreu com o racismo de torcedores rivais, que imitavam macacos e atiravam bananas no gramado. Antes de sua estreia pela Inglaterra, recebeu uma carta com uma bala de revólver dentro. “Se você pisar em nosso Wembley (estádio da seleção), vocês receberá uma dessas em seu joelho”. Regis riu e guardou a bala até sua morte como recordação de sua batalha contra o preconceito. Importantes publicações e emissoras inglesas, como o The Guardian e a BBC, dedicaram textos em homenagem ao “pioneiro” Regis nesta segunda.

 

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