Foto: Eraldo Lopes

Foto: Eraldo Lopes

Manaus – A mãe de um estudante, de 15 anos, denuncia que o filho foi impedido de renovar a matrícula dele, no 3º Colégio Militar da Polícia Militar Prof.º Waldocke Fricke de Lyra, por apresentar mau comportamento e ter cabelo grande. O estudante está sem estudar e a mãe do adolescente entrou na Justiça, pela Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM), com um mandado de segurança preventivo com pedido de liminar, para tentar reaver a matrícula do filho. A Justiça acionou o colégio para se pronunciar sobre o assunto.

A mãe do estudante, que pediu para não ser identificada, afirmou que o filho dela não apresentou mau comportamento e que o filho mantinha o cabelo do tamanho padrão que o colégio exige. “Eu sempre mantinha o cabelo dele cortado e nunca recebi notificação de suspensão dele por mau comportamento”, afirmou a mulher.

Segundo a mãe do adolescente, o filho está sem estudar. Ela disse acreditar que o estudante foi impedido de se rematricular injustamente. “Não tinha motivo e já vi fazerem isso com muitas mães. Só que eu vou atrás dos direitos do meu filho”, acrescentou a mulher.

Elogios e punições

Localizado na Rua Santa Helena, na Comunidade Campos Sales, bairro Tarumã, zona oeste de Manaus, o 3º Colégio Militar da Polícia Militar Profº Waldocke Fricke de Lyra é administrado pela Polícia Militar (PM). A diretoria do colégio informou, à reportagem, que o aluno entrou no colégio em 2014.

Conforme informações da direção da escola, todo aluno que ingressa no  3º Colégio Militar da Polícia Militar Prof.º Waldocke Fricke de Lyra inicia com nota 8 no quesito comportamento, que é considerado ‘bom’. Esse comportamento pode chegar à nota 10 (‘excepcional’ ou inferior a 4 (insuficiente’).

A gestão do colégio informou que o estudante impedido de se rematricular na escola obteve, entre 2014 e 2016, quatro elogios e 15 punições, como perturbar a professora e colegas em sala de aula, não fazer tarefas em sala de aula ou as que levava para casa, brigar com colegas, além de, durante três anos, ir à escola, por três vezes, com cabelo considerado grande. Com esses elogios e punições, o aluno chegou ao comportamento insuficiente, (nota 1,8 ), conforme a escola. No colégio, conforme a direção da escola, os alunos passam por uma revista do corte de cabelo de 15 em 15 dias, todo o dia 5 e 20 de cada mês. As alunas devem amarrar o cabelo em coque e usar redinhas pretas.

Pelo mandado de segurança, o desembargador Ary Moutinho, do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), solicitou que o colégio se pronunciasse sobre o assunto. A direção da escola informou que encaminhou, à Procuradoria Geral do Estado do Amazonas (PGE-AM), os documentos e informações solicitadas ao caso.

Fonte: Diário do Amazonas

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