O QG do RZO continua o mesmo de sempre. Foi justamente ali, no puxadinho remendado de um extenso sobrado na região de Pirituba, na zona oeste de São Paulo, que a história de um dos grupos mais importantes do rap nacional começou a ser rascunhada.

Se os tijolos sem reboco da parede falassem, certamente, diriam que dentro daquele singelo espaço, Helião, Sandrão e DJ Cia escreveram letras contundentes que marcaram para sempre a trajetória de muitos adolescentes que moram na periferia de São Paulo. Habituados a ficar à margem da sociedade, esses jovens, pela primeira vez, se tornaram protagonistas. Eles sentiram o sabor de suas glórias e seus fracassos expostos nas composições do RZO (Rapaziada da Zona Oeste).

O grupo. Nego Jam (E), Helião, DJ Cia e Sandrão no QG da banda em Pirituba, zona oeste Foto: Sergio Castro/Estadão

Depois de 14 anos sem lançar um disco de inéditas, o RZO volta à ativa de forma monumental. Em Quem Tá no Jogo, o jovem, mais uma vez, vira o personagem principal da trama. Desta vez, entretanto, eles expõem como enxergam o mundo e seus inúmeros problemas. “O jovem de hoje em dia é completamente diferente do de 20 anos atrás. Ele é muito antenado. A informação vem com mais velocidade. Apesar disso, muita coisa não chega até ele. Há certas coisas que não são interessantes para quem está na parte mais alta da pirâmide. Nossa função, portanto, também está atrelada a esse fator. É por isso que fazemos rap. Nós cantamos para essa molecada”, diz Helião em entrevista ao Estado. Quem Tá no Jogo, que tem 19 composições, conta com as participações especiais de Negra Li, Criolo e Rael.

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