Ser negro é ser | Foto: Arquivo Pessoal

Ser negro é ser | Foto: Arquivo Pessoal

Esdras Silva Oliveira, de 23 anos, é mais um jovem que almeja se estabelecer profissionalmente como modelo. A opção, ele diz, surgiu por acaso. “Confesso que não foi um sonho de infância. A partir dos meus 15 anos, as pessoas que se aproximavam faziam comentários e diziam que eu tinha características pra isso. Resolvi correr atrás e iniciei os primeiros trabalhos.” Na área, ele enxerga a falta de espaço para os modelos negros, e, para acabar com a desigualdade nas passarelas, deixa uma receita que procura seguir à risca.

“Tem que vir de nós mesmos. Certa vez escutei uma frase que levo sempre comigo. ‘Quando a nossa presença incomoda, é pelo simples fato de que as pessoas não podem ser como nós, porque fomos os escolhidos". Eu fui escolhido para ser negro e nada poderá barrar o caminho que tenho a seguir, nem o preconceito!”, ensina. Amante da leitura, Esdras diz que não dispensa um bom livro, além de revistas de moda e notícias, principalmente pela internet.

“O último livro que li foi Cordel, de Chico de Assis. E como dica, sugiro Tocou-me, de Benny Hinn, que nos mostra que devemos buscar os nossos sonhos e não olhar as dificuldades que pode nos limitar.”

Consciência Negra? Sobre o assunto, o modelo diz que o negro quebrou as algemas da escravidão. “O negro é forte, é música, é alegria, é festa.” E recita um poema para reforçar sua opinião: Ser negro é ter a pele pintada de dor e beleza. É ter consciência de que consciência, ainda não existe. Ser negro é ser dono da alegria, e generosamente dividi-la entre os filhos do preconceito. Ser negro é ser brasileiro duas vezes. É gritar não aos nãos da vida. Ser negro é ter a liberdade disfarçada de alma. Ser negro é ser.

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