O Jantar Preto 2025, realizado em 26 de novembro no Fasano Baretto, não foi apenas um evento — foi uma noite em que histórias, memórias e pertencimentos se encontraram. Cada presença ali carregava significado. Cada abraço, cada conversa e cada olhar reafirmavam algo maior: a potência do povo negro quando pode existir com liberdade, brilho e dignidade em espaços onde, por muito tempo, não foi convidado a estar.
Desde 2023, o Jantar Preto nasce como resposta a uma ausência histórica. E, a cada edição, ele se transforma em um movimento de reconstrução simbólica: um lugar onde profissionais negros não apenas frequentam, mas lideram, influenciam, decidem e inspiram. Ali, a representatividade deixa de ser discurso e se torna encontro vivo.
A edição deste ano reuniu nomes como Seu Jorge e sua filha Flor, Emicida, Bella Campos, Tasha e Tracie, Astrid Fontenelle e seu filho Gabriel, Tássia Reis, Lívia Silva, Rita Batista, Kenya Sade, Valéria Almeida e tantos outros artistas, comunicadores, líderes e criadores que vêm, há anos, abrindo portas para que outros passem. Também estiveram presentes Bárbara Brito — presidente do Jantar Preto e força motriz dessa construção — além de Levis Novaes, Kevin David e personalidades que transformam representatividade em legado.
O ambiente misturava elegância e afeto. Era possível sentir nos detalhes: nas conversas profundas sobre futuro, nos sorrisos de reconhecimento, na sensação de estar em um espaço seguro onde a presença negra não é exceção — é centro.
“O Jantar Preto é sobre amplificar vozes e consolidar trajetórias”, afirmou Bárbara Brito. “Cada edição reafirma nossa responsabilidade em construir caminhos reais para profissionais negros em diferentes setores.”
Um dos momentos mais emocionantes da noite foi a homenagem a Glória Maria. Com o lançamento da série documental Glória, do Globoplay, sua história voltou a pulsar ali — lembrando, mais uma vez, o quanto ela precisou resistir para que outras pessoas pudessem sonhar mais alto. Celebrar Glória Maria é lembrar que memória também é militância. É olhar para trás com gratidão e para frente com compromisso.
O Jantar Preto, que já passou por Salvador, São Paulo e Brasília, reuniu ao longo dos anos nomes como Angela Bassett, Dra. Ivete Sacramento, Karol Conká, Dan Ferreira, Hiran, Márcio Victor (Psirico), Monique Evelle, Bruno Rocha (Hugo Gloss) e tantos outros que fazem a cultura negra pulsar no Brasil.
Cada edição mostra que o encontro deixou de ser apenas um jantar — tornou-se uma plataforma, um símbolo, um lembrete de que ocupar espaços é um ato político, afetivo e profundamente transformador.
O Jantar Preto 2025 não apenas reuniu pessoas. Reuniu histórias. Reuniu sonhos. Reuniu um povo inteiro que, mesmo diante das barreiras, segue construindo caminhos onde antes só havia portas fechadas. E isso, por si só, já é motivo para celebrar.






