Confira a primeira parte da matéria sobre a vida política de Nelson Mandela

 

TEXTO: Oswaldo Faustino e Celso Fontana | FOTO: Divulgação | Adaptação web: David Pereira

A vida política de Nelson Mandela | FOTO: Divulgação

A vida política de Nelson Mandela | FOTO: Divulgação

Antes de ler esta matéria que tal saber mais sobre a infância e a juventude de Mandela? Veja aqui.

A vida política de Nelson Mandela:

O ano de 1944 foi marcante na vida de Mandela, que se casou com Evelyn Mase, parente do líder sindical Walter Sisulu. A união durou 12 anos e resultou no nascimento da menina Maki, que morreu ainda bebê, do menino Thembi, de outra garota também chamada Maki e, por fim, o caçula Kgatho. No mesmo ano, com Sisulu e Tambo, ele fundou a Liga Juvenil do CNA, que lançou o manifesto “Um homem, um voto”, denunciando a ilegalidade da dominação da minoria branca, até então vista com naturalidade. Começou a experimentar a popularidade e suas consequências exatamente nesse período. Com a sua ascensão na estrutura do CNA, disputou as eleições de 1948, mas perdeu para o Partido Nacional de extrema direita, que estabeleceu o regime segregacionista do apartheid e promoveu a cultura africânder dos descendentes de colonos calvinistas holandeses, chamados bôeres, e demais europeus oriundos de outros países. Estes decidiram tomar as terras dos negros, mestiços e indianos, e criaram os bantustões – assentamentos reservados para a população não branca –, dos quais os moradores só podiam sair para trabalhar nos bairros dos brancos mediante a apresentação de um passe, que limitava o trânsito de sul-africanos pelo país.

À medida que a opressão aumentava, os manifestos se multiplicavam. Inicialmente pacíficos, como a ocupação pelos negros dos espaços reservados aos brancos. A primeira prisão de Mandela durou apenas dois dias. Outras a sucederam, com aumento do tempo de encarceramento, até ele ser condenado a nove meses de trabalhos forçados, sob a acusação de envolvimento com o comunismo. A pena acabou sendo suspensa, mas ele ficou proibido de qualquer atividade política.

Seu discurso, porém, mudou em 1953, quando conclamou ao enfrentamento. No ano seguinte, todos os não brancos oprimidos se uniram no Congresso do Povo, que realizou um grande encontro em Soweto. Apesar da forte repressão, Mandela e Sisulu escaparam ilesos. A grande dedicação à causa de seu povo lhe custou o fim da união com Evelyn, embora o casal tenha permanecido na mesma casa com os filhos até a invasão da polícia, que resultou em sua prisão e na de outras 144 pessoas, todas acusadas de traição.

Respondendo às acusações em liberdade novamente, Nelson Mandela conheceu a enfermeira Winifred ZanyiweMadikizela, a Winnie, 16 anos mais jovem. Eles se casaram durante um recesso do julgamento. Da união nasceram duas filhas, Zindziswa e Zenani. Antes, porém, Mandela passou um ano na prisão. Durante esse período, em 21 de março de 1960, ocorreu em Shaperville uma manifestação de cinco mil pessoas contra a Lei do Passe. Em luta com a multidão, a polícia matou 69 manifestantes e feriu aproximadamente 180. Nove anos depois, a ONU decretou o 21 de março como Dia Internacional contra a Discriminação Racial.Quando Mandela saiu da prisão, se uniu à resistência armada. Tornou-se comandante e chefe do braço armado do CNA, batizado de “Lança da Nação”. Entrou para a clandestinidade e só conseguia se encontrar com a esposa de maneira esporádica e às escondidas. Logo começaram os treinamentos paramilitares, além de viagens de Mandela e Tambo a Londres e a vários países africanos. Encontraram-se com líderes como Haile Sellasie, da Etiópia, o herói da resistência contra a invasão italiana a seu país. Ao retornarem, iniciaram as ações guerrilheiras, mas foram presos. Durante o julgamento, Mandela admitiu ter participado de sabotagens. Em pronunciamento que durou quatro horas,disse que estava disposto a morrer pelo ideal de ajudar a construir “uma sociedade livre e democrática, na qual as pessoas vivam juntas, em harmonia e com oportunidades iguais”. Em 11 de junho de 1964, os juízes decidiram a pena: prisão perpétua.

As más notícias se sucediam: a morte da mãe; a do filho Thembi, em acidente de automóvel; o recrudescimento das limitações aos sul-africanos negros; a repressão à revolta de Soweto, em 1976,que resultou em centenas de mortes; e o assassinato, com uma carta-bomba, da parceira de luta Ruth First, que vivia exilada em Moçambique, em 1982. Após várias transferências de prisão, uma lenta melhora das condições carcerárias foi acontecendo, as visitas dos familiares tornaram-se mais constantes e as notícias da campanha por sua libertação, que Winnie empreendia mundo afora, chegaram aos seus ouvidos.

Confira a segunda parte da matéria.

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