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Revista Raça Brasil

A vitória da juventude e da terceira idade

Seguramente estas foram a s eleições mais polarizadas que o Brasil viveu após a redemocratização. O ranger de dentes da extrema direita, as ameaças prévias e o salto alto do já ganhou, desfilaram garbosamente pelas imprensa e redes sociais, após o resultado do primeiro turno.

Por outro lado, o temor dos velhinhos em perder conquista tão duramente alcançadas mobilizaram tanto os velhinhos (70+) quanto a nossa juventude que não só ocuparam as ruas de nosso país quanto as redes sociais de forma jamais vista na história desse país.

As gigantescas mobilizações que vimos país afora de forma espontânea e sem os velhos comandos partidários, marcaram essas eleições de forma extraordinária. Essa não foi uma vitória de um candidato ou de um partido, mais de um movimento popular que se recusou a aceitar um projeto que não lhe cabia, que não lhe respeitava e que não lhe atendia.

O que vimos claramente nesse segundo turno foi: de um lado o pânico de parcela significativa da população em ver a democracia, tão duramente conquistada, escorrer pelos dedos e de outro a arrogância antecipada de uma possível vitória, intimidar antes mesmo de começar a governar.

Era a democracia que estava em jogo!

Ficou claro, que para a maioria da população brasileira, democracia não se resumia apenas ao direito de votar.

E foi neste momento que os interesses da população brasileira em geral se fundiram com os interesses da comunidade negra. Isto porque, para a maioria da nossa população, democracia é também o direito de viver sem ser discriminado, ter educação de qualidade,  ter direito a uma moradia digna, ter a igualdade racial no mercado de trabalho,  preservação da sua memória cultural, em particular o respeito às manifestações religiosas de origem africana, e claro, participar efetivamente das decisões nacionais.

No programa do candidato derrotado não havia uma proposta sequer que tratasse da questão racial, fosse no campo da cultura, quilombola, combate a intolerância religiosa ou desigualdade raciais no geral. Nada que falasse sobre a redução das desigualdades raciais no campo salarial ou institucional. Muito menos ainda, qualquer proposta para promover a valorização da cultura afro-brasileira como política específica de igualdade racial.

Ou seja, um gigantesco retrocesso diante das inúmeras conquistas que a população negra alcançou nos últimos 30 anos.

No programa do candidato vencedor, havia ao menos 10 pontos que poderiam ser compreendidos como propostas e compromissos com a população negra:  Combate ao racismo estrutural, Defesa das cotas raciais, Educação Antirracista, Programa Quilombola, Combate a violência contra a Juventude Negra, Saúde da população negra e valorização da cultura afro-brasileira.

E isso pesou!

A vitória do Presidente Lula, foi fundamental para a consolidação da democracia em nosso país, mas, ainda assim algumas questões continuam desafiando o nosso futuro e por isso mesmo, deveremos estar atentos e fortes e contribuindo para sua concretização.

O orçamento que será destinado à promoção da igualdade racial, a necessidade de acelerar a titulação dos territórios quilombolas, a urgência em reduzir a violência contra a juventude negra, e a tradução do acesso à universidade, por meio das cotas, em maior igualdade no mercado de trabalho, são desafios a serem superados

Enfim, além da defesa intransigente da Democracia, que ocorreu na votação do último dia 25, que também façamos valer e avançar as conquistas da população negra brasileira.

Toca a zabumba que a terra é nossa!