Pular para o conteúdo principal

Revista Raça Brasil

Artistas negras transformam muros da periferia de São Paulo em espaços de memória

Festival de arte urbana reúne obras que valorizam a ancestralidade, a identidade negra e a contribuição das mulheres para a construção das periferias paulistanas.

Os muros da periferia de São Paulo estão ganhando novas histórias por meio da arte urbana produzida por mulheres negras. Na quarta edição do festival #ESTAMXSVIVXS, as artistas Tami e Kat apresentam murais que abordam ancestralidade, identidade, memória e a presença das mulheres negras nos territórios periféricos.

Idealizado pela artista Soberana Ziza, o festival utiliza o graffiti e o muralismo para valorizar culturas negras e indígenas e ampliar a presença dessas narrativas no espaço público. As obras são desenvolvidas em diferentes regiões da capital paulista e propõem novos olhares sobre as comunidades e seus moradores.

Tami transforma ancestralidade em arte

Na Brasilândia, Zona Norte de São Paulo, a artista Tami apresenta o mural Ramificada em movimento. A obra retrata uma mulher mais velha caminhando enquanto segura uma criança que começa a dar seus primeiros passos. As figuras aparecem conectadas por raízes, que simbolizam a continuidade da memória ancestral.

O trabalho tem inspiração no poema Sopro, do escritor senegalês Birago Diop, e aborda a permanência dos saberes e das histórias negras ao longo das gerações.

Formada em Design de Animação, Tami desenvolve pesquisas sobre território, ancestralidade e identidade preta. Sua produção reúne diferentes linguagens, como pintura, graffiti, escultura, ilustração digital e animação, com referências ao cotidiano da população negra da periferia paulistana.

Kat destaca a força das mulheres negras na periferia

Na Estrada do M’Boi Mirim, na Zona Sul da capital, a artista Kat também integra a programação do festival. Sua produção destaca a contribuição das mulheres negras para a construção das relações comunitárias e para a preservação dos conhecimentos compartilhados entre gerações.

Ligada à cultura hip-hop desde 2003, Kat construiu sua trajetória no graffiti enfrentando desafios relacionados ao machismo, ao assédio e à falta de infraestrutura para artistas que atuam nas ruas.

Além da produção artística, ela trabalha com educação e produção cultural, promovendo oficinas de artes visuais e atividades de graffiti em diferentes espaços e comunidades.

Sua participação no projeto reforça a importância de reconhecer as mulheres negras como agentes fundamentais na criação artística e na transformação dos territórios onde vivem.

Festival amplia as narrativas sobre as periferias

A quarta edição do #ESTAMXSVIVXS reúne oito artistas: Milena Santa Cruz, Filipe Cipó, TIM, do Coletivo Imargem, Tami, Poisé, Kat, Iwintolá e Leen Vandal.

Os murais estão sendo lançados entre agosto e novembro de 2026. O projeto também inclui atividades formativas conduzidas pelos artistas participantes e pela idealizadora do festival, Soberana Ziza.

A iniciativa foi contemplada pela sexta edição do Edital de Apoio à Cultura Negra da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa de São Paulo.

Ao ocupar os muros com imagens e histórias produzidas por artistas negros e indígenas, o festival contribui para ampliar a representação dessas populações no espaço urbano e valorizar os conhecimentos, as memórias e as expressões culturais presentes nas periferias.

Fonte: Sopa Cultural.