A representatividade negra ganhou destaque em Itu, no interior de São Paulo, com a exposição “Bonecas Negras – O Poder da Representatividade”, realizada no sábado, 24 de outubro, na sede da União Negra Ituana (UNEI). A mostra apresentou cerca de 50 bonecas do acervo da jornalista, atriz, pesquisadora e colecionadora Rafaele Breves, convidando o público a refletir sobre identidade, autoestima e diversidade racial.
Com aproximadamente 400 bonecas negras em sua coleção particular, Rafaele construiu um acervo que reúne peças de diferentes épocas, culturas e características físicas. A iniciativa destaca como os brinquedos também podem transmitir referências culturais e influenciar a maneira como as pessoas reconhecem a própria identidade.
Bonecas que contam histórias
Entre os destaques da exposição estavam a primeira Barbie negra, lançada oficialmente em 1980, e bonecas inspiradas em personalidades como Rosa Parks, Maya Angelou, Whitney Houston e Venus Williams. A mostra também apresentou exemplares que representam diferentes países africanos, profissões e expressões da beleza negra.
Mais do que objetos de coleção, as peças ajudam a ampliar as referências disponíveis para crianças e adultos. A presença de personagens negros nos brinquedos contribui para que diferentes tons de pele, traços, cabelos e histórias sejam reconhecidos e valorizados.
Representatividade também se constrói na infância
A proposta da exposição dialoga com uma discussão importante sobre autoestima e identidade racial. Durante a infância, os brinquedos, os livros e os personagens presentes no cotidiano ajudam a formar referências sobre beleza, pertencimento e possibilidades de futuro.
Quando pessoas negras encontram representações positivas de si mesmas, podem ampliar suas referências de identificação. Por outro lado, a ausência ou a representação limitada da população negra nesses espaços evidencia a importância de diversificar os produtos culturais e os brinquedos disponíveis no mercado.
A temática também faz parte da trajetória acadêmica de Rafaele Breves, pós-graduada pela Universidade de São Paulo (USP) em Educação, Cultura e Relações Étnico-Raciais. A pesquisadora desenvolveu o estudo “Bonecas e representatividade – a construção da autoestima da mulher negra”, aprofundando a discussão sobre a relação entre representação racial e construção da identidade.
Realizada pela União Negra Ituana, em parceria com o projeto Minhas Bonecas Negras, a exposição reforçou a importância de iniciativas que valorizam a diversidade e ampliam o reconhecimento das identidades negras. Ao colocar essas bonecas em evidência, a mostra também chama atenção para a necessidade de que a pluralidade da sociedade brasileira esteja presente desde os primeiros anos de vida.
Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul, Agenda Sorocaba e Jornal de Itu.