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Revista Raça Brasil

Jogador de 20 anos chora após sofrer ofensas racistas durante partida em Goiás

Um episódio de racismo interrompeu uma partida de futebol amador no povoado Cachimbo, na zona rural de Posse, no nordeste de Goiás. O jogador Kaique Pereira Ramos, de 20 anos, denunciou ter sido alvo de ofensas racistas durante uma partida realizada no domingo (1º), em uma comunidade quilombola.

Segundo o relato do atleta, a situação começou quando ele pediu licença para realizar uma cobrança de lateral. Nesse momento, um homem que estava próximo ao campo teria dirigido expressões racistas contra o jovem, entre elas “negro rajado”.

A ofensa provocou uma reação de profundo abalo emocional. Imagens que circularam nas redes sociais mostram Kaique caído no gramado, chorando e cobrindo o rosto com a camisa. O jogador precisou ser amparado por colegas de equipe e pessoas que acompanhavam a partida.

Em entrevista ao jornal, o atleta relatou o impacto da situação e afirmou que não conseguiu continuar jogando normalmente após as agressões verbais.

“Eu me senti muito magoado. Não consegui jogar o futebol que eu estava jogando ali naquele momento. Eu me desabei em choro”, contou.

Caso foi registrado e será investigado

Após o episódio, Kaique procurou a Polícia Civil de Goiás e registrou a ocorrência na terça-feira (3). A Polícia Militar informou que foi acionada durante a partida, mas o homem apontado pelo jogador como responsável pelas ofensas já havia deixado o local quando os agentes chegaram.

Segundo informações divulgadas pela imprensa local, o suspeito foi identificado pelas autoridades, mas ainda não havia sido localizado até a divulgação das primeiras informações sobre o caso.

A organização do campeonato também se manifestou, demonstrando solidariedade ao atleta e repudiando qualquer manifestação racista.

Racismo não é provocação esportiva

O episódio reforça que o racismo não está restrito aos grandes estádios ou às competições profissionais. Ele também acontece em campos de várzea, campeonatos locais e espaços comunitários, atingindo atletas que encontram no esporte uma oportunidade de realização e pertencimento.

Kaique tem o sonho de se tornar jogador profissional. Mesmo abalado, o jovem tenta reunir forças para voltar aos campos.

A denúncia agora está nas mãos das autoridades, e o caso reforça a importância de que manifestações racistas sejam denunciadas e investigadas. Nenhum atleta deveria precisar suportar humilhações para continuar praticando o esporte que ama.

Fontes consultadas: reportagem de O Popular.