O colunista Fábio Rogério escreve sobre os rumos que o hip-hop está tomando. Confira

 

TEXTO: Fábio Rogério | FOTO: Cláudio Lira | Adaptação web: David Pereira

O colunista Fábio Rogério escreve sobre os caminhos do hip-hop | FOTO: Cláudio Lira

O colunista Fábio Rogério escreve sobre os caminhos do hip-hop | FOTO: Cláudio Lira

Coluna: Os caminhos do hip-hop

O rap se tornou tão popular que até já ilustrou latas de refrigerantes, no passado e no presente. Quem não se lembra do rapper do Public Enemy, Flavor Flav, bebendo em excesso nosso brasileiro guaraná? Apesar disso, continua sendo o som que tem o foco de promover a conscientização. Pensando culturalmente, existem marcas gringas que gostamos, mas o Brasil carece de um pouco de patriotismo publicitário.

Nem sempre o rap ecológico, erótico, político e com humor é compreendido, mas os mesmos existem pra mostrar a diversidade. Sons como “Não mate a mata”, do Sampa Crew, já pregavam, no início do rap, o não distanciamento da natureza. O som “Pirulito”, do Geração Rap, discute de forma tentadora a sexualidade. “Por um triz”, de Thaíde & DJ Hum menciona o sofrimento dos que vivem às margens da sociedade.

Atualmente, rimas como “Av. Sabin”, do RDG, exaltam territórios até então desconhecidos da grande mídia. Neste som, Lino Crizz, que no passado compôs o grupo de rap Os Metralhas ao lado de seu irmão DJ Dri, deixa a sua marca. Lino é um cara muito ativo, tem diversas participações em trabalhos de outros artistas e, em minha opinião, é uma das grandes vozes da música negra contemporânea.

Quando relembramos os anos 80 e 90, nomes como Eric B., Rakim, Kool Moe Dee, Kurtis Blow, Whodini e Too Short vem à mente. Era um momento bom e talvez menos vaidoso, pois andávamos com muitas roupas pretas e ainda não estavam na ativa nomes fortes de DJs como Cinara, King, Rm, Max nos Beats e MC Rashid. Um pouco antes dessa época, o mundo conhecia a banda Black Rio, responsável pela propagação da soul music instrumental brasileira. E assim segue o hit parade, como diz Raphão Alafim. No imaginário, existem as fazendas que querem ver nascer da terra o rap e os MCs estão na colheita dos beats.

Lembro que, com dez anos de hip hop no Brasil, levávamos uma atração em festas e conseguíamos atingir a meta de público. No tempo do vinil, a música era mais difícil, hoje temos a internet, mas ao mesmo tempo em que compartilhamos mais, nos afastamos do mundo real que é contato com o próximo. Especialistas de redes de internet dizem que estamos em tempo de compartilhar e isso é bom... Mas as pessoas não se dispõem a sair de casa.

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