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Revista Raça Brasil

PUC-Rio investiga denúncia de ataques racistas contra Marielle Franco

Filha da ex-vereadora, Luyara Franco cobra responsabilização após mensagens ofensivas em grupo de WhatsApp; universidade afirma que abriu investigação interna.

A memória de Marielle Franco voltou a ser alvo de ataques racistas. Na sexta-feira (30), Luyara Franco, filha da ex-vereadora do Rio de Janeiro, denunciou nas redes sociais mensagens ofensivas contra a mãe que teriam sido publicadas por um aluno da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), em um grupo de WhatsApp.

Segundo a denúncia, um participante utilizou uma expressão racista para se referir a Marielle e questionou como ela teria conseguido pagar pelos estudos universitários. A ex-vereadora cursou Ciências Sociais na própria PUC-Rio.

Em publicação compartilhada com o Instituto Marielle Franco, Luyara cobrou uma resposta da instituição e a apuração dos fatos. A filha destacou que os ataques atingem a memória de uma mulher negra que construiu sua trajetória por meio do estudo, do trabalho e da atuação em defesa dos direitos humanos.

Universidade abre investigação

Após receber denúncias por meio da Ouvidoria e do Canal Externo de Denúncias, a PUC-Rio informou que abriu uma investigação interna para apurar o episódio e avaliar as medidas administrativas e legais cabíveis.

Em posicionamento oficial, a universidade repudiou atos discriminatórios, incluindo racismo e injúria racial. A instituição também reafirmou seu compromisso com a educação antirracista e com a preservação da memória de Marielle Franco.

A abertura da investigação representa uma medida inicial. Até a publicação das informações disponíveis, não havia divulgação do resultado da apuração nem de eventuais sanções aplicadas ao estudante.

Racismo contra mulheres negras também atinge suas trajetórias

O episódio vai além de uma discussão em um aplicativo de mensagens. Os ataques denunciados atingem a memória de uma mulher negra que ocupou espaços historicamente marcados por desigualdades raciais e de gênero.

Marielle construiu sua trajetória política a partir da defesa dos direitos humanos, das mulheres, da população negra e dos moradores das periferias. Sua formação acadêmica e sua atuação pública fizeram parte de um percurso que rompeu barreiras de representação.

Questionar a capacidade de uma mulher negra de acessar a universidade, associando sua trajetória a ofensas racistas, reproduz mecanismos históricos de deslegitimação das conquistas da população negra.

O caso também reforça a importância de instituições de ensino adotarem medidas efetivas para prevenir e enfrentar a discriminação racial em seus ambientes, inclusive quando as manifestações acontecem em espaços digitais ligados à comunidade acadêmica.

Racismo é crime

No Brasil, a legislação prevê punições para condutas racistas e para a injúria racial. A Constituição Federal estabelece que o racismo é crime inafiançável e imprescritível.

A apuração dos fatos é fundamental para esclarecer as circunstâncias das mensagens denunciadas, identificar as responsabilidades e determinar as providências cabíveis.

Marielle Franco foi assassinada em março de 2018, ao lado do motorista Anderson Gomes, no Rio de Janeiro. O crime marcou a história recente do país e teve desdobramentos judiciais que resultaram na condenação de executores e de outros envolvidos.

Mesmo após sua morte, a memória da ex-vereadora continua presente nas discussões sobre racismo, violência política, representatividade e direitos humanos.

A denúncia apresentada por Luyara Franco coloca novamente em evidência a necessidade de combater manifestações racistas e garantir que a trajetória de mulheres negras seja respeitada. A investigação conduzida pela PUC-Rio deverá esclarecer o episódio e indicar as medidas cabíveis.

Fonte: Agência Brasil