Nos Estados Unidos, jantar para arrecadar dinheiro para causa nobre é cultura. São os famosos philanthropic dinners, onde a elite se encontra, come bem, faz network e assina cheque. No Brasil, essa prática também existe, mas tem cor e CEP. É muito comum entre pessoas brancas, com tempo e capital sobrando para filantropia. Na comunidade negra, o corre é tão grande para sobreviver e liderar que quase nunca sobra tempo para parar, brindar e pedir ajuda para uma causa – ainda que essa causa seja a nossa própria ascensão.
É por isso que a proposta do Jantar do Pactuá é tão revolucionária. No dia 21 de outubro de 2026, na Casa Bisutti, em São Paulo, o Instituto Pactuá realiza sua edição especial de cinco anos do tradicional Jantar Beneficente. Mais do que um evento no calendário da elite corporativa, é a ocupação negra de um ritual historicamente branco. É o nosso povo entendendo que confraternizar também é estratégia, e que fazer network também é aquilombar.
E esse jantar não é só celebração. Ele é a garantia de que o trabalho continue. A arrecadação da noite é parte central da estratégia de sustentabilidade do Instituto, responsável por manter a operação anual e viabilizar programas que já impactaram cerca de 1.000 líderes negros em mentorias, 2.450 participantes em formações on-line e mais de 150 líderes formados no PDLN, com certificação Saint Paul | Exame, além de 50 bolsas para C-Level. Sem recurso, não há Conexão, Inspiração e Educação – os três pilares do Pactuá.
Cinco anos depois de sua fundação, com parceiros como Fundação Dom Cabral, IBGC e Conta Black, o Instituto entendeu o que os americanos já sabem há décadas: causa nobre não se sustenta só de boa intenção. Como afirma a presidente Íris Barbosa, o jantar é uma iniciativa de captação que contribui diretamente para a continuidade dos programas. É o momento em que empresas, executivos e lideranças negras se encontram não para pedir favor, mas para financiar o futuro.
Por isso, apoiar o Jantar do Pactuá é diferente de apoiar qualquer outro jantar. É investir para que o profissional negro deixe de ser o único na sala e passe a ser quem convida para o jantar. É transformar network em auxílio real, e auxílio em permanência.