O Rock in Rio 2026 já começou. A partir desta sexta-feira (4), a Cidade do Rock, no Parque Olímpico do Rio de Janeiro, recebe mais uma edição de um dos maiores festivais de música do mundo. Neste primeiro fim de semana, que segue até segunda-feira (7), rock, rap, R&B, samba, soul, funk e música brasileira dividem espaço em uma programação que reúne artistas nacionais e internacionais.
E, para o público da RAÇA, há uma rota especial que merece atenção: os artistas negros que sobem aos diferentes palcos do festival.
Separamos alguns dos shows que você não pode perder entre os dias 5, 6 e 7 de setembro.
5 de setembro — o rock também é negro
Quem ainda insiste em imaginar o rock como um território distante da música negra precisa prestar atenção ao Palco Sunset. Às 17h50, o Black Pantera convida Nervosa para uma apresentação que promete ser uma das mais potentes do sábado. A banda mineira Black Pantera transformou sua mistura de hardcore, metal, punk e discursos antirracistas em uma das vozes mais importantes do rock brasileiro contemporâneo.
No Espaço Favela, o rap também marca presença com Major RD, às 19h, enquanto MC Taya sobe ao Supernova às 16h. É a juventude negra ocupando gêneros, estéticas e palcos diferentes dentro do mesmo festival.
6 de setembro — uma noite dominada pela black music
Se existe um dia para os fãs de R&B, hip-hop e música negra internacional chegarem cedo e irem embora tarde, é domingo.
O Palco Mundo recebe Nelly, às 19h, levando para a Cidade do Rock uma carreira marcada por sucessos que ajudaram a definir o hip-hop dos anos 2000. Logo depois, às 21h20, é a vez do Black Eyed Peas, grupo que tem em will.i.am uma de suas principais forças criativas.
Mas talvez um dos momentos mais aguardados esteja no Sunset. Às 22h45, Ne-Yo assume o palco com um repertório que atravessa mais de duas décadas de R&B. “So Sick”, “Because of You”, “Sexy Love” e “Closer” estão entre os sucessos de um artista que não apenas construiu a própria carreira, mas também escreveu hits para estrelas como Beyoncé e Rihanna.
Antes dele, às 17h50, tem BaianaSystem, levando a potência da música baiana ao Sunset. E vale chegar ainda mais cedo: às 15h30, os irmãos António e Fradique, do Calema, levam ao festival a sonoridade construída entre São Tomé e Príncipe, Portugal e a música africana contemporânea.
No Espaço Favela, a sequência também merece atenção: Budah, Rael e Xamã ocupam o palco ao longo do dia.
7 de setembro — Gil, Jon Batiste, Péricles e uma celebração da música negra
Na segunda-feira, o Rock in Rio reserva uma programação especialmente forte para a música negra.
No Palco Mundo, o vencedor de múltiplos Grammys Jon Batiste se apresenta antes de um dos maiores nomes da história da cultura brasileira: Gilberto Gil. Aos 84 anos, Gil chega ao Rock in Rio carregando uma trajetória que atravessa MPB, samba, reggae, rock, ritmos afro-brasileiros e décadas de transformação cultural.
No Sunset, Vanessa da Mata convida Rubel para abrir a programação. Mais tarde, Péricles canta Motown, em um espetáculo pensado especialmente para celebrar a histórica gravadora que ajudou a transformar a música negra norte-americana e revelar nomes fundamentais do soul. O repertório preparado pelo cantor passa por clássicos associados a artistas como Stevie Wonder, The Temptations e Smokey Robinson.
E não acaba aí.
O Espaço Favela reúne Tiee, Mart’nália e Belo, enquanto o Supernova apresenta nomes de uma nova geração, como Melly e Alee.
Do metal ao samba, do rap ao R&B, da música africana ao soul, a programação deste primeiro fim de semana ajuda a lembrar algo que a história da música já deveria ter deixado evidente há muito tempo: não existe música popular contemporânea sem a contribuição negra.
No Rock in Rio, essa influência estará espalhada por toda a Cidade do Rock. E, entre os dias 5 e 7 de setembro, vale montar a agenda — e preparar as pernas — para não perder alguns dos encontros mais negros, diversos e potentes desta edição.