O ator e cantor Seu Jorge trouxe uma leitura própria e simbólica ao interpretar o gênio no filme Narciso, dirigido por Jeferson De.
Na produção, o artista dá vida a uma entidade que se distancia da figura clássica dos contos tradicionais. Em vez de um gênio preso a uma lâmpada, o personagem assume um papel mais espiritual, próximo de um “anjo da guarda” ou de uma entidade ligada à ancestralidade.
Segundo o ator, a construção do personagem dialoga diretamente com crenças e vivências presentes na cultura negra brasileira, trazendo elementos de fé, proteção e conexão com o invisível.
Referências negras na construção do personagem
Durante entrevista ao portal Omelete, Seu Jorge também destacou como referências negras foram fundamentais na sua formação e, consequentemente, na construção do papel.
Ele relembrou a influência de atletas negros em sua infância, apontando que essas figuras funcionavam como exemplos de sucesso e inspiração para crianças negras.
A presença desses ídolos, especialmente no esporte, ajudou a moldar sua visão de mundo e contribuiu para dar identidade ao personagem — que aparece no filme com a figura de um jogador de basquete.
Representatividade e identificação
Para o artista, a importância dessas referências vai além do entretenimento. Elas representam possibilidades concretas de futuro para jovens negros, que muitas vezes crescem com acesso limitado a representações positivas.
Ao incorporar essa dimensão ao personagem, o filme amplia o debate sobre identidade, pertencimento e representatividade.
Fantasia com crítica social
O longa acompanha a história de um menino negro que vive em um lar temporário e enfrenta rejeição após ser devolvido por uma família adotiva.
Ao receber um objeto mágico, ele tem a chance de realizar um desejo — o que desencadeia uma jornada que mistura fantasia e crítica social.
A narrativa propõe reflexões sobre afeto, desejo, pertencimento e as consequências das escolhas, especialmente em contextos de vulnerabilidade.