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Revista Raça Brasil

Solange Omon denuncia ataques racistas após conquistar título de Angel da Victoria’s Secret

Modelo camaronesa de 21 anos expôs comentários racistas nas redes sociais após vencer competição da marca e destacou que outras mulheres negras também enfrentam esse tipo de violência.

A modelo camaronesa Solange Omon, de 21 anos, denunciou ataques racistas nas redes sociais após ser anunciada como a nova Angel da Victoria’s Secret. A conquista foi revelada durante o desfile da marca, realizado em 18 de outubro, em Los Angeles, nos Estados Unidos. Desde então, a modelo passou a receber comentários ofensivos direcionados à sua aparência e à cor de sua pele.

Em publicações nas redes sociais, Solange compartilhou mensagens que ultrapassavam as críticas à competição e recorriam a referências racistas, incluindo comparações com a escravidão. Diante dos ataques, a modelo afirmou que a situação deixou de ser uma discussão sobre quem deveria vencer e passou a ser uma manifestação de racismo.

Solange reconheceu que o público poderia ter suas próprias preferências entre as finalistas, mas ressaltou que a discordância não justifica agressões racistas. Ela também explicou que decidiu falar publicamente sobre o caso porque o problema não se limita à sua experiência individual.

“Sou uma mulher negra, mas há muitas meninas e mulheres negras que passam por coisas assim todos os dias”, afirmou a modelo em suas publicações, conforme repercutido pelo portal Mundo Negro.

Conquista na moda internacional

Solange Omon chegou ao título após participar de Angels Among Us, uma série documental da Victoria’s Secret que acompanhou a seleção de novos talentos para a marca. Segundo o Mundo Negro, mais de 100 mil pessoas iniciaram o processo de inscrição, que terminou com dez finalistas e, posteriormente, três concorrentes na etapa decisiva.

A modelo disputou a vaga com Andreína Martínez e Tatyana Tinsley. Com a vitória, conquistou o título de Angel, uma oportunidade profissional com a agência IMG Models e a participação no desfile da marca.

Natural de Camarões, Solange vivia no estado do Maine, nos Estados Unidos, onde estudava e trabalhava como coordenadora de programas em uma organização sem fins lucrativos. Sua atuação profissional incluía apoio a jovens negros e imigrantes em processos de preparação para o mercado de trabalho.

Andreína Martínez também se posiciona

A repercussão dos ataques levou Andreína Martínez, uma das finalistas, a se manifestar contra as mensagens racistas. A modelo dominicana rejeitou o uso de seu nome para justificar ofensas à vencedora e afirmou que a conquista de outra mulher não deveria ser motivo para disseminar ódio.

O posicionamento reforçou a diferença entre a preferência por uma candidata em uma competição e a utilização de argumentos racistas para atacar outra participante.

Representatividade não elimina o racismo

A conquista de Solange Omon representa um novo momento em sua trajetória profissional, mas a reação de parte do público evidencia que a presença de mulheres negras em espaços de destaque não impede a manifestação do racismo.

Na indústria da moda, modelos negras continuam ocupando passarelas, campanhas e posições de visibilidade internacional. Ainda assim, episódios como o denunciado por Solange mostram que o reconhecimento profissional pode coexistir com ataques direcionados à identidade racial.

Ao tornar públicas as mensagens recebidas, a modelo também chamou atenção para uma realidade compartilhada por muitas mulheres negras: a tentativa de deslegitimar suas conquistas por meio de ofensas racistas.

Apesar dos ataques, Solange afirmou que permanece feliz e orgulhosa de sua vitória, agradecendo às pessoas que demonstraram apoio e se posicionaram contra as mensagens ofensivas.

Fonte: Mundo Negro, TheGrio e People.