Uma vitrine da loja de vestidos de festa Arthur Caliman, localizada na Avenida Santo Amaro, na zona sul de São Paulo, provocou indignação após apresentar manequins negros usando aventais e simulando servir manequins brancos vestidos com trajes de festa.
A representação foi encaminhada ao Ministério Público de São Paulo (MPSP), que analisa o caso por meio da Promotoria de Justiça dos Direitos Humanos – Inclusão Social.
A composição chamou atenção porque os manequins brancos apareciam associados ao luxo e à celebração, enquanto os negros ocupavam posições de serviço. Não havia manequins negros vestindo os trajes de gala expostos pela loja.
O advogado Hédio Silva Jr. criticou a representação, apontando que a montagem reproduz uma lógica histórica de subalternização da população negra. Manuela Thamani, diretora executiva do Observatório da Branquitude, também destacou a hierarquia racial simbolizada pela disposição dos manequins.
Procurada, a Arthur Caliman afirmou repudiar qualquer forma de racismo e discriminação. A empresa alegou que a composição buscava criar contraste entre as cores dos manequins e das roupas, negou intenção discriminatória e informou que alterou a vitrine.
Até o momento, não há decisão do Ministério Público reconhecendo a prática de racismo ou responsabilizando a loja.
Fonte: G1, VEJA São Paulo.