{"id":37639,"date":"2025-01-22T13:48:17","date_gmt":"2025-01-22T13:48:17","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaraca.com.br\/?p=37639"},"modified":"2025-03-18T18:56:04","modified_gmt":"2025-03-18T18:56:04","slug":"yalorixa-jaciara-ribeiro-reflete-sobre-desafios-do-combate-ao-racismo-e-a-intolerancia-religiosa-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaraca.com.br\/yalorixa-jaciara-ribeiro-reflete-sobre-desafios-do-combate-ao-racismo-e-a-intolerancia-religiosa-no-brasil\/","title":{"rendered":"Yalorix\u00e1 Jaciara Ribeiro reflete sobre desafios do combate ao racismo e \u00e0 intoler\u00e2ncia religiosa no Brasil"},"content":{"rendered":"\n
No dia de ontem, 21 de janeiro, completaram-se 25 anos desde o falecimento de M\u00e3e Gilda de Ogum, um nome que se tornou s\u00edmbolo da resist\u00eancia contra a intoler\u00e2ncia religiosa no Brasil. Fundadora do Ax\u00e9 Abass\u00e1 de Ogum, em Salvador (BA), M\u00e3e Gilda viu seu terreiro ser invadido e destru\u00eddo. Os ataques, tanto f\u00edsicos quanto emocionais, foram marcados por racismo e intoler\u00e2ncia religiosa, levando \u00e0 sua morte em 2000. Sua luta foi reconhecida em 2007, quando o dia 21 de janeiro foi oficializado como o Dia Nacional de Combate \u00e0 Intoler\u00e2ncia Religiosa, uma homenagem ao seu legado.<\/p>\n\n\n\n
Desde ent\u00e3o, sua filha biol\u00f3gica e sucessora no terreiro, a Yalorix\u00e1 Jaciara Ribeiro, tem liderado a luta para manter viva a mem\u00f3ria de sua m\u00e3e e o combate ao preconceito. Para Jaciara, o maior avan\u00e7o foi transformar a hist\u00f3ria de M\u00e3e Gilda em um s\u00edmbolo de den\u00fancia e resist\u00eancia \u201cO caso de M\u00e3e Gilda \u00e9 um est\u00edmulo para que outros casos de racismo e intoler\u00e2ncia venham \u00e0 tona. Essa visibilidade \u00e9 o que mais avan\u00e7amos nesses 25 anos\u201d, reflete.<\/p>\n\n\n\n
Mas Jaciara tamb\u00e9m aponta os retrocessos, especialmente a falta de pol\u00edticas p\u00fablicas e de orienta\u00e7\u00e3o clara para quem sofre esse tipo de viola\u00e7\u00e3o \u201cMuitos terreiros, principalmente os mais afastados, n\u00e3o sabem como denunciar. N\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 internet ou informa\u00e7\u00f5es sobre onde buscar ajuda. \u00c9 preciso maior colabora\u00e7\u00e3o da m\u00eddia e das autoridades.\u201d<\/p>\n\n\n\n
Mesmo com a dificuldade em denunciar, os dados de 2024 mostram um aumento preocupante. Foram registrados 3.853 casos de intoler\u00e2ncia religiosa, quase o dobro do ano anterior. Al\u00e9m disso, um levantamento da JusRacial revelou que um ter\u00e7o dos processos por racismo no Brasil est\u00e1 relacionado \u00e0 intoler\u00e2ncia religiosa.<\/p>\n\n\n\n
Para Jaciara, essas viol\u00eancias est\u00e3o diretamente ligadas ao racismo \u201cA intoler\u00e2ncia religiosa \u00e9 racismo. Atinge uma comunidade que tem nome, cor e territ\u00f3rio. Por isso, falar sobre esses dois temas \u00e9 tratar da mesma luta.\u201d<\/p>\n\n\n\n
A Yalorix\u00e1 tamb\u00e9m aponta o impacto do governo de Jair Bolsonaro na luta contra o racismo e a intoler\u00e2ncia \u201cTivemos muitas perdas de direitos. Um presidente que incentiva a viol\u00eancia contra o povo negro pratica, de forma cruel, um genoc\u00eddio. Isso fortaleceu comportamentos de \u00f3dio que ainda estamos enfrentando.\u201d<\/p>\n\n\n\n
Recentemente, na Bahia, a cantora Claudia Leitte foi denunciada ap\u00f3s substituir versos sobre Yemanj\u00e1 por refer\u00eancias crist\u00e3s em um show. Para Jaciara, o epis\u00f3dio reflete a falta de entendimento e respeito \u00e0s religi\u00f5es de matriz africana. O caso est\u00e1 sendo investigado pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, que promover\u00e1 uma audi\u00eancia p\u00fablica no dia 27 para discutir a\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o \u00e0s comunidades de terreiros.<\/p>\n\n\n\n
Apesar dos desafios, a luta pela liberdade religiosa continua. No pr\u00f3ximo s\u00e1bado (25), o Ax\u00e9 Abass\u00e1 de Ogum realiza o 2\u00ba Arrast\u00e3o pela Liberdade, que levar\u00e1 \u00e0s ruas de Salvador um cortejo com blocos afro e artistas, partindo do terreiro at\u00e9 a Lagoa do Abaet\u00e9.<\/p>\n\n\n\n
Jaciara encerra com uma mensagem de esperan\u00e7a, lembrando o verdadeiro significado do Candombl\u00e9 \u201cO Candombl\u00e9 \u00e9 amor, \u00e9 cuidado, \u00e9 conex\u00e3o com a natureza e com o outro. Que os orix\u00e1s nos deem equil\u00edbrio para seguir. Quando enxergamos o outro como igual, criamos uma comunidade unida, livre e cheia de amor.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"
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