A terceira edição do Afro Fashion Day aconteceu neste sábado, 18 de novembro, no bairro do Comércio, na cidade de Salvador - BA, com uma programação que incluiu exposição fotográfica, bate-papo, loja colaborativa, palestras e shows, além, do esperado desfile, que esse ano contou 100 looks. Criado para celebrar o mês da Consciência Negra, o Afro Fashion Day busca dar visibilidade para modelos negros, a cultura afro-brasileira e os trabalhos de marcas e designers locais.

O Afro Fashion Day 2017 teve como tema “Os Quatro Elementos da Natureza”. Água, Fogo, Terra e Ar serão traduzidos na figura geométrica do triângulo, marca registrada do AFD. Na passarela, o tema veio através de um show fashion coordenado pela diretora artística do desfile, Nara Couto, responsável por unir os olhares do VJ Gabiru, do DJ Telefunksoul, do produtor de moda Fagner Bispo e da companhia Lekan Dance, coordenada pelo bailarino Ed Cruz. “Praticamente triplicamos o número de looks desde a primeira edição, em 2015, chegando a 100 pessoas desfilando”, comemora Fagner, que está no projeto desde sua primeira edição. Outro veterano do AFD, Dino Neto assinou a beleza pelo terceiro ano, comandando uma equipe de 10 profissionais, formada por Mario Moraes, Luiz Santana, Romario Aragão, Deivson Esquivel, Marcos Junquilho, Alberto Alves, Vinicius Teles, Rose Brito, Valécio Santos e Joab Rocha.  Parte das belezas finalizada com turbantes das marcas que desfilam no AFD e outra virá com penteados feitos com a fibra extra jumbo.

Os 100 looks foram desfilados com uma atuação incrível, por modelos selecionados em 9 agências da cidade e por oito jovens escolhidos em cinco seletivas realizadas pela organização do evento. O AFD abriu espaço para jovens baianos concorrerem a vagas em sua passarela. As seletivas aconteceram na Liberdade, Bonfim, Itapuã, Cajazeiras e Plataforma e receberam mais de 500 inscrições. A diversidade da juventude negra soteropolitana deu o tom do resultado final e a diversidade de belezas da população baiana falou mais alto, tanto que o público vibrou com presença dos diferentes tipos físicos que integraram o casting, como podemos conferir nas fotos desse evento que celebrou a diversidade da juventude negra.

“A terceira edição consolida o AFD como vitrine das produções baianas, valorizando o trabalho local, além de ser expoente para os modelos. A ideia é promover uma experiência através de outras linguagens, além da notícia. O projeto inclui música, dança, comportamento com ápice no desfile”, afirma Fábio Góis, gerente de Marketing e Mídias Digitais do CORREIO. “Mais do que um momento de moda, o Afro Fashion Day busca fomentar diversas oportunidades no âmbito econômico e cultural de Salvador”, completa Roberto Gazzi, diretor executivo do jornal que assina a iniciativa.

Para chegar aos 100 looks desse ano, o Afro Fashion Day contou com a criatividade de 42 marcas baianas - seis estreantes no evento (João Damapeju, Jorge Nascimento, Lú Samarato, Negafulô, Rey Vilas Boas e Soul Dila) - de roupas, bijuterias, bolsas, turbantes e até boneca de pano, além da participação do projeto Bahia Revoluções Criativas, do Instituto ACM. A produção das peças foi acompanhada por Fagner Bispo, que dividiu o desfile em quatro blocos, de acordo com cada elemento. O criativo, que é estilista, assina algumas roupas que subiram na passarela construiu a edição do desfile com uma ordem de entrada em blocos de cor, com os looks assinados por:

Acessórios: Boutique Negralá, By Aninha, Cândida Specht, Erika Rigaud, La Abuela, Kelba Varjão Deluxe, Negafulô (bonecas), Outerelas, Preta Brasil, Sonbrille (óculos), Sou Diva - Tá bom pra Você e Turbanque.

Fogo: Adriana Meira Atelier, Cynd Biquínis, Goya Lopes, Moringa Label, N Black e Rey Vilas Boas.

Terra: Aládio Marques, Ateliê Casalinda, Black Atitude, ‘Com Amor, Dora’, Euzaria, Lú Samarato, Luciana Galeão com Las Bonfim e Porto de Biquíni.

Água: Crioula, Jeferson Ribeiro, Meninos Rei, Negrif, Soul Dila, T Camisetaria, Fagner Bispo e Tempt.

Ar: inCid, Closet Clothing, João Damapejú, Jorge Nascimento, Katuka Africanidades, Mônica Anjos, Bahia Revoluções Criativas, Soudam e Carol Barreto, encerrando o desfile com looks translúcidos da Coleção Asè, que completa um ano de circulação internacional.

CAROL BARRETO

Mulher Negra, Feminista e como Designer de Moda Autoral elabora produtos e imagens de moda a partir de reflexões sobre as relações étnico-raciais e de gênero.  Professora Adjunta do Bacharelado em Estudos de Gênero e Diversidade - FFCH – UFBA e Doutoranda no Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade – IHAC – UFBA, pesquisa a relação entre Moda e Ativismo Político.

 

*Este artigo reflete as opiniões do autor. A Revista Raça não se responsabiliza e não pode ser responsabilizada pelos conceitos ou opiniões de nossos colunistas

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