Revista Raça Brasil

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Rachel Quintiliano

Editora do Portal Raça. Jornalista e escritora com quase 30 anos de experiência, tanto na comunicação corporativa quanto da imprensa, especialmente imprensa negra. Autora do livro ‘Negra percepção: sobre mim e nós na pandemia’. É responsável por planejar os conteúdos do portal, assegurando a linha editorial e estratégia narrativa do grupo RAÇA.

Manhãs de setembro, série estrelada por Liniker 

O passado sempre bate à porta e ressignificá-lo é fundamental para seguir em frente, como ensina o ideograma Sankofa, originário do povo Acã. É isso que Cassandra, interpretada pela Liniker na primeira temporada da série “Manhãs de Setembro” tenta fazer. 

Lançada em julho deste ano, com direção de Luís Pinheiro e Dainara Toffoli, a primeira temporada conta a história de uma mulher negra trans que acha que alcançou alguma estabilidade e segurança ao viver um amor “tranquilo” e conseguiu sobreviver do trabalho puxado em cima de uma moto pelas ruas da cidade de São Paulo. 

Quando tudo parece que vai (quase) bem, uma ex-namorada do passado, Leide, interpretada por Karine Teles, que também esteve em “Que horas ela volta?”, “Benzinho” e “Bacurau”, chega com Gersinho, filho dela com Cassandra.

Tudo muda e uma relação de confiança entre os três vai sendo construída com muitos altos e baixos, embalada por uma trilha sonora impecável e pelas durezas de quem está tentando ganhar a vida como dá, na invisibilidade de uma grande metrópole. 

É uma história sobre construção de afetos, quebra de paradigmas e, sobretudo, os sonhos, desejos e decepções de uma mulher trans, negra, pobre e trabalhadora que só quer cantar aquilo que lhe toca a alma. E o que lhe toca a alma é a voz e interpretação inconfundível de Vanusa, cujo uma das músicas de maior sucesso, “Manhãs de Setembro”, dá nome ao seriado. 

Uma das cenas mais marcantes é quando Gersinho diz que o pai é bonito. Eles estão em uma farmácia fazendo compras para o app de entrega que Cassandra atende e, entre uma fala e outra, o menino diz isso. Obviamente, existe um conflito ali porque ele segue chamando Cassandra de pai, mesmo contra a vontade dela. Mas é nítido que ela fica lisonjeada com a constatação do menino. 

Liniker, cantora, compositora, artista visual e atriz, superou qualquer expectativa que eu pudesse ter. A atuação é tão envolvente, que cheguei a achar, nos primeiros minutos, que ela estava interpretando sua própria história. 

Além de Gustavo Coelho, que interpreta Gersinho, o elenco é bem estrelado e traz Thomaz Aquino, Paulo Miklos, Isabela Ordoñez, Clodd Dias, Fero Camilo, Elisa Lucinda e Linn da Quebrada. 

Mundo da Rua Podcast

Acompanhe também as sugestões de livros produzidos por pessoas negras, para pessoas negras e sobre pessoas negras, da nossa colunista Rachel Quintiliano, no podcast Mundo da Rua. No último episódio ela fala do livro Águas da Cabaça, de Elizandra Souza.

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