Repórter esportivo é baleado por policial após ser confundido com criminoso no Rio
O que era para ser apenas mais uma volta para casa depois do trabalho se transformou em um pesadelo para Igor Melo, estudante de publicidade, repórter esportivo e criador do site “Informe Botafogo”. Na noite desta segunda-feira (24), ele foi baleado por um policial militar da reserva na Penha, Zona Norte do Rio de Janeiro, após ser confundido com um criminoso enquanto estava em um “Uber Moto”.
Igor foi levado para o Hospital Getúlio Vargas, onde passou por uma cirurgia de emergência e perdeu um rim. Agora, segue internado sob custódia, sem previsão de alta. Segundo sua esposa, Marina Moura, seu estado de saúde ainda é instável, mas ele está consciente e já conseguiu falar com ela.
A confusão começou quando a esposa do policial militar da reserva, que havia sido roubada, apontou Igor e o mototaxista como suspeitos. Porém, de acordo com Marina, um dos agentes presentes afirmou que a mulher estava embriagada no momento da acusação.
“Meu marido não é criminoso, ele foi a vítima. O policial que estava presente lá disse que a mulher que o acusou estava visivelmente bêbada. Ele vai ficar bem porque é forte e Deus é maior. Ele trabalha todo fim de semana por nós”, desabafou Marina nas redes sociais.
Igor não é apenas um apaixonado por esportes, mas também um trabalhador incansável. Além de manter seu site esportivo, ele divide a rotina entre os estudos e o trabalho na Boate Batuq. Sua vida foi interrompida de forma brutal por um erro que custou sua liberdade e sua saúde. Pai de um menino de dois anos, ele agora luta para se recuperar e voltar para sua família.
A Polícia Militar informou que agentes do 16º BPM (Olaria) foram acionados para uma ocorrência de invasão a domicílio e encontraram dois homens baleados. O caso foi registrado na 22ª DP (Penha), onde o policial militar da reserva se apresentou como autor do disparo.
Na delegacia, a esposa do PM mudou sua versão, dizendo que apenas o mototaxista era o responsável pelo roubo. Mas o estrago já estava feito. Igor segue no hospital, custodiado por um crime que não cometeu, enquanto sua família enfrenta angústia e indignação.
O caso gerou revolta entre amigos, colegas e internautas, que cobram explicações e justiça. Mais do que um erro, o episódio escancara um problema recorrente: abordagens precipitadas que, sem provas, transformam trabalhadores negros em suspeitos. Desta vez, o preço foi um tiro, uma vida em risco e uma família dilacerada pela injustiça.