Revista Raça Brasil

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Depois de um hiato de 10 anos, Salgadinho mostra que o samba também sabe recomeçar

Aos 55 anos, Salgadinho reencontra não só os palcos, mas também a si mesmo. Dono de clássicos que embalaram os anos 1990, como Inaraí e Lua Vai, o ex-vocalista do Katinguelê vive hoje uma fase de celebração após um hiato de dez anos, quando se afastou da música para mergulhar na vida religiosa. Agora, ele comemora o sucesso da Casa do Salgado, projeto que virou um verdadeiro festival de samba e pagode, reunindo milhares de pessoas em encontros que chegam a durar até sete horas.

“Eu mergulhei na religião mesmo. Foi um momento saudável pra mim. Minha vida tinha sido muito invadida — tive minha mãe sequestrada, vivi o peso da fama… Esse retiro foi importante, me trouxe equilíbrio e me deu a chance de acompanhar mais de perto meus filhos”, relembra o cantor, hoje também avô de um menino de 5 anos.

De reencontro a renovação

O retorno não aconteceu de uma vez, mas foi carregado de propósito. Em 2023, um simples after no estúdio de Salgadinho virou algo muito maior: a primeira edição da Casa do Salgado, que reuniu mais de 3 mil pessoas na escola de samba Rosas de Ouro, em São Paulo. De lá para cá, já foram mais de 15 edições, com públicos que ultrapassam 7 mil pessoas.

“Eu já tinha feito o projeto Pagode 90, mas ainda estava desarticulado por ter ficado tanto tempo afastado. Agora, com a Casa do Salgado, o público sente que o espaço também pertence a eles. É uma experiência de pertencimento, emoção e memória. Vai além da música”, explica.

Os camarotes do evento têm nomes que resgatam sua própria história — Inaraí, Lua Vai e Engraçadinha. Para o artista, cada detalhe é uma forma de se reconectar com quem o acompanha desde os anos 90 e, ao mesmo tempo, abraçar novas gerações que chegam para descobrir sua obra.

Superação que vira legado

Mais do que um retorno, a trajetória recente de Salgadinho é sobre resiliência. “Esse hiato de dez anos poderia ter acabado com minha carreira. Mas consegui me reinventar e reconstruí-la sob uma nova perspectiva. Hoje, sinto segurança para estar novamente na rua, junto do público, fazendo aquilo que amo”, afirma.

E, mesmo nos momentos de dúvida, a música nunca deixou de ser sua essência. “A música sempre foi meu norte. Tive oportunidades em outros negócios, mas é nela que faço a mágica da minha vida acontecer”, diz.

Entre altos e baixos, Salgadinho prova que o samba, assim como ele, sempre encontra um jeito de renascer.

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